OMS usará sangue de sobreviventes para tratar pessoas contaminadas

Aposta é na transferência de anticorpos, embora a eficácia seja controversa; em 1995, no Congo, 7 de 8 tentativas fracassaram

Jamil Chade , Correspondente - O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 21h05

GENEBRA - Os sobreviventes do vírus Ebola podem ser parte da solução para combater a doença. Nesta sexta-feira, 5, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que o sangue deles deve ser usado para o tratamento dos contaminados. Já as primeiras vacinas podem começar a chegar aos locais afetados em novembro. 

A entidade concluiu nesta sexta-feira, em Genebra, o encontro com os 150 maiores especialistas sobre o tema, diante da constatação de que o Ebola está fora de controle, mesmo depois de todos os planos e medidas. Até esta sexta, o número de mortes superava a marca dos 2 mil. 


Não existe um tratamento aprovado e amplamente fornecido no mercado. Mas um total de oito tratamentos e duas vacinas foram considerados e o acordo do grupo foi de que a prioridade deve ser dada em desenvolver uma cura com base no sangue dos sobreviventes. Os anticorpos devem ser transferidos para os doentes, garantindo um reforço ao sistema imune do paciente. 

“Chegamos a um acordo que as terapias sanguíneas precisam ser usadas para tratar do vírus e todos os esforços precisam ser feitos para investir e ajudar os países afetados”, declarou Marie Paule Kieny, vice-diretora da OMS. “Existe uma oportunidade real de que os produtos derivados do sangue possam ser usados agora.” 

Ironicamente, a OMS considera que o fato de a doença ter se espalhado e afetado muita gente facilitará até mesmo na produção desse tratamento. “Muita gente infectada está curada. Eles podem agora fornecer sangue para tratar dos demais”, defendeu.

Mas a entidade alerta que até mesmo essa metodologia pode falhar, uma vez que ainda não existem provas de que, se for adotada em larga escala, poderá ter os resultados esperados. Em 1995, a transfusão foi realizada em um surto na República Democrática do Congo. Mas sete dos oito pacientes testados acabaram morrendo. 

Vacinas. Outra aposta são as vacinas. Como o Estado revelou, a primeira já passa por testes nos Estados Unidos, em um processo que ainda vai ser executado no Reino Unido, Mali e Gâmbia. Um primeiro caso já recebeu a vacina nos EUA nesta semana. “Se for provada que é segura, a vacina poderia estar à disposição em novembro para o uso prioritário de médicos e enfermeiras”, diz a OMS. 

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