Rungroj Yongrit/EFE
Rungroj Yongrit/EFE

OMS: vacina de Oxford apresenta bons resultados, mas ainda há 'longo caminho a percorrer'

Organização Mundial da Saúde comemorou que a vacina se mostrou segura e produziu resposta imune, mas ressaltou que esta foi a fase um dos ensaios clínicos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 13h36

O diretor de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, comemorou nesta segunda-feira, 20, estudo sobre vacina contra coronavírus do laboratório AstraZeneca desenvolvido pela Universidade de Oxford, mas ponderou que ainda há etapas até a imunização chegar ao público.

"Estes são os estudos da fase um, agora precisamos avançar para testes em larga escala no mundo real. Mas é bom ver mais produtos avançando até essa fase importante na descoberta da vacina", afirmou Ryan.

A candidata a vacina contra o novo coronavírus da Universidade de Oxford se mostrou segura e produziu resposta imune em ensaios clínicos iniciais em voluntários saudáveis, informaram cientistas da instituição nesta segunda-feira, 20. 

Os estudos, referentes às fases 1 e 2 de testes, foram realizados com mais de mil voluntários saudáveis, entre 18 e 55 anos. A terceira etapa está sendo testada em 50 mil pessoas, incluindo 5 mil brasileiros.

Segundo a OMS, efetivamente existem 23 candidatas a vacina em testes clínicos. Ryan apontou que após as vacinas passarem por todos os testes e provarem eficácia, existirá um grande desafio para escalar a produção e distribuir ao redor do mundo. 

"Não vai ter uma vacina para cada pessoa no planeta. Vamos ter que priorizar quem recebe", afirmou o diretor de emergências.

Acesso à vacina e Covax

Para garantir acesso e facilitar a distribuição das doses quando estiverem disponíveis, a OMS apoia o Covax, um grupo internacional que negociará com os produtores de vacina.

O Brasil e outros 74 países manifestaram interesse em financiar suas vacinas por meio da iniciativa.  Outras 90 nações de baixa renda querem também colaborar e assim receber doações para poder distribuir as doses.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que há nações indo na direção contrária a esse esforço. Ele declarou que os países mais ricos devem se comprometer a tornar a vacina um bem público global.

"Isso não deveria ser considerado caridade às nações que não podem pagar", afirmou. "O acesso também aos países pobres pode acelerar a recuperação econômica no mundo".

Indígenas e covid-19

A OMS também informou nesta segunda-feira, 20, que entre os povos vulneráveis, indígenas que vivem nas Américas são o maior motivo de preocupação durante a pandemia de covid-19.

Embora existam mais de 500 milhões de indígenas vivendo em mais de 90 países, a organização chama atenção para aqueles que vivem nas Américas, por ser o atual epicentro da doença. Segundo a organização, a região registrava mais de 70 mil casos e 2 mil mortes de indígenas até 6 de julho.

Fatores como falta de representatividade política e acesso à saúde colocam esses povos entre os grupos de maior vulnerabilidade social. "Taxas de pobreza, desemprego, desnutrição e de doenças transmissíveis ou não frequentemente são altas entre indígenas, o que os deixa mais exposto à covid-19 e suas consequências", explicou Tedros. 

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