EFE/ Lynn Bo Bo
EFE/ Lynn Bo Bo

OMS vê 'janela de oportunidade' para que coronavírus não vire pandemia

Embora casos isolados já tenham sido registrados em 23 países, a maioria permanece concentrada na China, onde aconteceram 490 mortes. Há chance concreta de o mundo conseguir “se livrar do vírus”, diz diretora

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 09h00

RIO - A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a epidemia do novo coronavírus uma “emergência de saúde global”. Afirmou, porém, que ainda há uma “janela de oportunidade” para impedir que a crise se transforme numa pandemia com graves consequências em todo o mundo.

Embora casos isolados já tenham sido registrados em 23 países de diferentes regiões, a maioria permanece concentrada na China. Uma pandemia só é declarada quando vários países registram epidemias da mesma doença simultaneamente.

Nesta terça-feira, 4, o número de casos registrados ultrapassou os 20 mil, com 490 mortes confirmadas. A China anunciou o isolamento de pelo menos mais quatro cidades distantes da província de Hubei, epicentro da epidemia.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, elogiou as medidas de isolamento para deter a disseminação do vírus. Também exortou os países a compartilharem mais informações científicas sobre a síndrome respiratória.

Também nesta terça, mais três países da Ásia registraram transmissão local da doença entre pessoas que não estiveram na China: Cingapura, Malásia e Tailândia. E a Bélgica tornou-se o nono país da Europa a registrar casos. Até agora, no entanto, nenhum caso foi confirmado na África ou na América Latina.  O Brasil investiga 13 casos suspeitos. 

Embora o novo coronavírus tenha se alastrado muito mais rapidamente do que o seu primo causador da epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), de 2003, a taxa de letalidade é bem menor. Fica em torno de 2%, e é restrita a pessoas mais idosas, com baixa imunidade.

No entanto, segundo especialistas, ainda é cedo para dizer se a atual crise será mais ou menos grave que a anterior. Tudo depende de conseguir restringir o quanto antes a disseminação do vírus.

Ainda segundo a OMS, não há indícios de que o novo coronavírus tenha já sofrido alguma mutação significativa. Uma alteração genética aleatória pode torna-lo mais transmissível ou mais letal, por exemplo.

“Não há indícios de que o vírus esteja sofrendo mutações”, disse nesta terça-feira, a diretora da Divisão de Preparação para Infecções Globais da OMS, Sylvie Briand. “É um vírus bem estável.”

Por isso, diz Briand, ainda há uma chance concreta de o mundo conseguir “se livrar do vírus”. Nesta terça-feira, a Rússia e o Canadá anunciaram planos para levar de volta para casa cidadãos de seus países que vivem na província de Hubei. E o governo do Reino Unido recomendou aos britânicos que retornem a seu país.

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