Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Onda roxa: piora na pandemia faz Minas criar fase mais restritiva no plano de combate à covid

Quase 200 municípios na fase mais restritiva do programa estadual; nível máximo de alerta inclui toque de recolher noturno

Leonardo Augusto, especial para o Estadão

08 de março de 2021 | 22h09

BELO HORIZONTE - O agravamento da pandemia de covid-19 em Minas Gerais fez com que o governo do Estado criasse na semana passada uma nova faixa (a onda roxa), dentro do programa implantado para tentar frear a expansão da doença. A entrada das prefeituras na nova fase, se determinada pela gestão Romeu Zema (Novo), é obrigatória. Um total de 194 dos 853 municípios do Estado estão hoje na fase roxa no programa Minas Consciente. 

O que é a onda roxa? O que muda?

Batizada de roxa, a faixa tem medidas mais duras. O sistema tinha, até então, a faixa vermelha (o governo chama as faixas de ondas) como a mais restritiva, que autoriza a abertura só de atividades essenciais, como supermercados, farmácias e padarias. Bares e restaurantesestão autorizados apenas com delivery e retirada no local. Outras duas faixas, a verde e a amarela, têm critérios mais brandos. A adesão das prefeituras, até a onda vermelha, é opcional.

Na roxa, há toque de recolher das 20h às 5h, abertura só de estabelecimentos de atividades essenciais (sem delivery e retirada em bares e restaurantes) e proibição de reunião de integrantes de famílias que não vivam juntos. O sistema leva em conta, principalmente, a disposição de leitos de unidade de terapia intensiva para tratamento da covid-19.

Qual a situação da saúde de Minas hoje no combate à pandemia?

Minas tem 4.024 leitos de unidade de terapia intensiva no SUS em funcionamento, dos quais 3.160 estão ocupados (78%). Do total de leitos de UTI em uso, 1.750 (43%) estão com pacientes com a covid-19 ou com suspeita de estarem com a doença.

No Vale do Aço mineiro, que ainda não foi colocado na faixa roxa, a ocupação dos leitos de UTI é de 87,16% nesta segunda, a mais elevada do estado, com 64,22% dos leitos com pacientes com covid ou com suspeita. A regional até o momento segue na faixa vermelha.

“Não podemos perder o controle e deixar acontecer em Minas aquilo que vimos com tanta tristeza em outros locais, que é essa desassistência generalizada. Chegar em um hospital e não conseguir atendimento é uma cena de horror. Não queremos que isso aconteça em Minas”, disse Zema, no anúncio da faixa roxa.

A onda roxa do programa, chamado Minas Consciente, foi implementada no último dia 3. Inicialmente duas das 14 regiões do Estado, Triângulo Norte e Noroeste foram colocadas neste nível, um total de 60 cidades. Entre elas, está a 2ª maior de Minas, Uberlândia, no Triângulo Norte, que passa por grave problema de falta de leitos de unidade de terapia intensiva para covid-19. O município tem sido obrigado a transferir pacientes para outras cidades e se queixa de dificuldade de contratar médicos e enferrmeiros para reforçar o atendimento. 

No dia 6, mais duas regiões, Triângulo Sul, que tem Uberaba como principal cidade, e Norte, que tem Montes Claros como a mais populosa, também foram colocadas na onda roxa. As duas regionais somam 113 municípios. Segundo o Estado, a microrregional Ponte Nova, com 21 cidades, pediu para integrar a fase roxa, chegando às 194 prefeituras nesta fase de tentativa de conter o vírus.

Outras cinco regiões do Estado, além do Vale do Aço, estão na faixa vermelha. A depender do fluxo de pacientes nas UTIs, as regiões podem ser transferidas para a onda roxa: Sul, Centro, Leste do Sul, Leste e Nordeste.

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