'Ônibus da madrugada' é a única esperança de atendimento para moradores

O município não tem transporte público – os moradores vão a pé, de carro ou de carona com algum vizinho

Clarissa Thomé / ENVIADA ESPECIAL / PEDRO CANÁRIO (ES),

08 Julho 2012 | 17h22

PEDRO CANÁRIO, ES - O "ônibus da madrugada" é muitas vezes a única esperança de atendimento para os moradores de Pedro Canário. O ir e vir de pacientes movimenta as ruas desertas da pequena cidade do norte capixaba. O município não tem transporte público – os moradores vão a pé, de carro ou de carona com algum vizinho – como fez a família do pequeno Caio.

Pessoas debilitadas – algumas vão fazer quimioterapia – aguardam o micro-ônibus em pontos fixos, um posto de saúde, um supermercado e a prefeitura. A saída é pontual, à 1 hora. Os passageiros carregam sacolas com roupa, lanche, uma manta. Muitos levam travesseiros. A jornada é longa – só retornarão por volta das 21 horas. O motorista espera a consulta do último paciente.

Pela manhã, o ônibus começa a despejar os passageiros pelos hospitais de Vitória. Recolhe-os no fim da tarde. "É cansativo demais. O ônibus é pequeno, você não tem posição. A gente chega às 21, 22 horas, se o carro não quebrar", conta Orosina de Jesus Teixeira, de 65 anos, que foi consultar um hematologista.

Pedro Canário tem um hospital filantrópico, que atende urgência e emergência pelo SUS. "É um hospital que não dá receita. Dá encaminhamento", queixa-se a dona de casa Leidiomara Onorato Alves, de 36 anos. São Mateus, a 50 quilômetros, é referência de atendimento de trauma. Mas é comum ir mais longe.

Desde a última eleição municipal, em 2008, Pedro Canário teve três prefeitos. Antonio Fiorot, hoje no cargo, recorre da cassação – foi denunciado por morar em Vitória. A secretária de Saúde, Josenete Brito, diz que a situação já esteve muito pior. "Assumi em dezembro e hoje pagamos um dos melhores salários do Estado: R$ 9 mil para médicos que trabalham 40 horas. Trouxemos especialidades como oftalmologia, psiquiatria, cardiologia, ortopedia e dermatologia", afirmou.

O secretário de Saúde do Espírito Santo, Tadeu Marino, informou que o Estado concluiu no ano passado o Plano Diretor de Regionalização. "Aumentamos em 200% as consultas especializadas em São Mateus."

 

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