Aaref Watad / AFP
Aaref Watad / AFP

ONU alerta para estresse e problemas psicológicos causados ​​pela pandemia do coronavírus

Relatório divulgado nesta quinta-feira, 14, aponta para "décadas de negligência e falta de investimento" dos países no combate às doenças mentais

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 02h05

A pandemia do novo coronavírus pode desencadear uma crise de saúde que causa problemas psicológicos associados ao luto, medo de doenças ou desemprego, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quinta-feira, 14, em um relatório.

O esforço global para combater o coronavírus esconde a disseminação dos problemas de saúde mental "após décadas de negligência e falta de investimento", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. "A pandemia da covid-19 agora está afetando famílias e comunidades, causando mais estresse", disse ele em uma mensagem de vídeo para apresentar o relatório. "Mesmo quando a pandemia está sob controle, a dor, a ansiedade e a depressão continuam afetando pessoas e comunidades", acrescentou.

O relatório destaca o estresse relacionado ao medo de ser contaminado ou que a doença, que deixou quase 300 mil mortos em todo o mundo desde seu aparecimento na China no final de 2019, contamine os membros da família. Também aponta o impacto psicológico nas pessoas que perderam ou podem perder suas fontes de renda e naquelas que foram separadas de seus parentes ou sofreram longos confinamentos.

"Sabemos que a situação atual, o medo e a incerteza, a turbulência econômica, geram ou podem gerar sofrimento psicológico", disse Devora Kestel, diretora de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicoativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em uma entrevista coletiva virtual.

O pessoal que trabalha na linha de frente contra a pandemia, começando pelos profissionais de saúde, trabalha, em condições "imensamente estressantes" e é especialmente vulnerável, disse Kestel, citando o aumento das taxas de suicídio do pessoal médico revelado pela mídia.

Além disso, as crianças e as mulheres, forçadas a ficar em casa, são as mais expostas à violência doméstica. Por sua vez, os idosos e aqueles com doenças crônicas, que os enfraquecem diante do novo coronavírus, têm grande ansiedade devido ao medo de se contaminar e de sofrer uma forma grave da doença. As pessoas que já são psicologicamente frágeis e que não podem acessar o tratamento habitual também podem ter sua saúde deteriorada.

O relatório cita, entre outros, um estudo na região de Amhara, na Etiópia, o qual mostra que 33% da população sofre "três vezes mais" sintomas de depressão do que antes da pandemia. Outros estudos indicam que a prevalência de estresse mental durante a crise atinge 60% no Irã e 45% nos Estados Unidos.

A ONU também pede investimentos maciços por parte dos governantes. Antes da pandemia, os países destinavam uma média de 2% de seus gastos em saúde para as doenças mentais. / AFP

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