ONU aponta que menos de 5% da população é viciada em drogas

Diante do índice, orgão diz que objetivos iniciais do programa para redução do consumo não foram cumpridos

Efe,

10 de março de 2008 | 14h58

Menos de 5% da população mundial é viciada em substâncias ilegais, apontou a comissão de Entorpecentes da ONU, que iniciou nesta segunda-feira, 10, uma reunião em Viena para revisar a política de combate às drogas adotada nos últimos 10 anos. O diretor do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), o italiano Antonio Maria Costa, disse em entrevista coletiva que o problema das drogas havia sido "contido, mas não resolvido", diante desta percentagem.  Em 1998, a ONU lançou em Nova York uma estratégia para "eliminar ou reduzir significativamente o cultivo ilegal da folha de coca, do Cannabis e da papoula para 2008." De acordo com a organização, os objetivos iniciais não foram cumpridos, apesar de os viciados em drogas lícitas representarem menos de 5% da população mundial, um número "cinco ou seis vezes inferior aos viciados em tabaco ou álcool." O diretor afirmou que o número de pessoas que consomem "drogas pesadas", as que mais prejudicam a saúde, é de cerca de 25 milhões, 0,5% da população mundial. Cerca de 200 mil pessoas morrem por ano vítimas da toxicomania, um décimo dos mortos por causa do alcoolismo e vinte vezes menos que os mortos pelo tabagismo. Dificuldades O vice-secretário da ONU afirmou que existe um problema de imagem na luta contra as drogas. "Existem muito poucos recursos para tratamentos de prevenção e reabilitação, muito se dedica à erradicação dos cultivos (ilegais) e pouco à erradicação da pobreza", declarou. Além disso, criticou as propostas de legalização das drogas como medida para acabar com o problema. "As drogas não são perigosas por serem ilegais, mas são ilegais por serem perigosas", disse.  A produção de Cannabis estabilizou-se nos últimos dez anos, mas aumentou a concentração do THC, princípio ativo da planta. O resultado mostra um aumento indireto da produção, pois se requer menos quantidade desta substância, afirmou Costa. "Apesar disto, calcula-se que a produção mundial de cocaína foi de 984 toneladas em 2006, ou seja, um aumento de 19% em relação a 1998", diz um documento oficial do encontro. Como causa deste aumento se indica a melhora das técnicas de cultivo, o aumento das colheitas anuais, o uso de variedades de maior rendimento e o aumento do número de plantas por hectare. O cultivo da papoula diminuiu apenas 2% entre 1998 e 2007 - de 238 mil para 234 mil hectares -, mas a produção de papoula alcançou em 2007 as 8,8 mil toneladas, o dobro do volume produzido nove anos antes. Entre 1998 e 2006, a superfície total de cultivo ilegal de coca na Bolívia, na Colômbia e no Peru diminuiu 18%, de cerca de 190 mil hectares para aproximadamente 156 mil hectares.

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