ONU pede mais verbas para tratamento de portadores de HIV

Programa de combate à Aids da organização afirma que são necessários US$ 6 bilhões a mais do que o disponível atualmente

BBC Brasil, BBC

04 Junho 2011 | 18h06

O programa de Aids na ONU (Unaids) pediu o aumento das verbas para o tratamento de pessoas portadoras do vírus HIV.

Michael Sidibe, diretor do programa, disse que o desafio no combate à Aids é expandir o acesso a remédios e lidar com os fatores sociais que estigmatizam a doença.

Segundo a Unaids, enquanto as verbas para tratamento da doença em países de renda média ou baixa aumentaram dez vezes entre 2001 e 2009, os recursos internacionais diminuíram em 2010. E muitos governos ainda dependem de recursos externos.

"Temo que os investimentos internacionais estão caindo em um momento em que a resposta à Aids está dando bons resultados para as pessoas", disse.

"Se não investirmos agora, teremos que pagar muito mais no futuro."

"O acesso ao tratamento vai transformar a resposta à Aids na próxima década. Precisamos investir no processo de aceleração e descobrir novas opções de tratamento", acrescentou.

Sidibe afirmou ainda que o desafio, além de expandir o acesso à remédios, também é enfrentar os fatores sociais que ainda geram preconceito, fazendo com que principalmente as mulheres fiquem em situação vulnerável.

Para isso, a Unaids acredita que um investimento de pelo menos US$ 22 bilhões é necessário até 2015, US$ 6 bilhões a mais do que está disponível atualmente.

O programa de Aids da ONU estima que estas verbas evitariam 12 milhões de novos casos de infecção pelo HIV e 7,4 milhões de mortes relacionadas à Aids até 2020.

Queda

Na quinta-feira, um relatório da ONU informou que houve uma queda global de cerca de 25% em novos casos de infecção pelo HIV e uma redução nas mortes relacionadas à Aids na última década.

Na Índia, a taxa de novos casos de infecção pelo HIV caiu mais de 50% e, na África do Sul, mais de 35%. Os dois países tem o maior número de pessoas vivendo com HIV de seus continentes.

O relatório foi publicado antes do 30º aniversário, neste domingo, do primeiro caso de Aids informado, na época, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

A Assembleia Geral da ONU deve se reunir em Nova York para discutir a epidemia da doença a próxima semana, com 20 líderes do mundo todo e mais de cem ministros.

Estima-se que cerca de 34 milhões de pessoas estavam vivendo com o HIV em 2010 e cerca de 30 milhões tenham morrido de causas relacionadas à Aids desde 1981, de acordo com o relatório.

Comportamento

O relatório também afirma que, na terceira década da epidemia, as pessoas estão começando a adotar um comportamento sexual mais seguro, refletindo o impacto da prevenção do HIV e dos esforços para conscientização.

Mas, segundo o documento, ainda há falhas, pois homens jovens tem mais chances de ser informados sobre o HIV do que as mulheres jovens.

Também houve um avanço significativo na prevenção de novos casos de HIV entre crianças e um aumento no número de mães que vivem com HIV e conseguem acesso a antirretrovirais durante a gravidez, parto e amamentação

"Trinta anos atrás esta doença misteriosa era chamada de peste gay, (...) as pessoas tinham medo uma das outras. Agora, o mundo é completamente diferente, nós quebramos a conspiração do silêncio", disse Sidibe.

No entanto, o relatório descobriu que, no final de 2010, cerca de 9 milhões de pessoas que precisavam de tratamento não recebiam os remédios e que o acesso aos tratamento para crianças era mais baixo do que para adultos.

E, enquanto a taxa de novos casos de infecção pelo HIV teve uma queda global, o número todal de infecções por HIV continua alto, cerca de 7 mil por dia. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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