ONU vê avanço preocupante da gripe suína na América do Sul

Para secretário-geral da entidade, países em desenvolvimento precisam de US$ 1 bi contra o vírus A H1N1

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo,

06 Julho 2009 | 09h00

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GENEBRA - O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, afirma que o avanço da gripe suína nos países do Cone Sul é "extremamente preocupante" e que serve de alerta aos países em desenvolvimento de que a pandemia "só está começando". Para fazer frente à crise, Ban pediu hoje a um grupo de governos ricos e durante semana ao G8 que US$ 1 bilhão sejam dados aos países em desenvolvimento para que estejam preparados a lidar com o vírus H1N1.

 

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"O que estamos vendo na Argentina deve servir de advertência a todos", afirmou Ban, em declarações ao Estado. "O vírus saiu do México ou América do Norte e agora ganha força em várias regiões do mundo. Mas nossa principal preocupação está na América do Sul", afirmou. "A situação na Argentina é alarmante", disse.

 

Seu gabinete não esconde a preocupação com o impacto que a doença pode ter na região. "Estamos vendo a disseminação da gripe em países com uma razoavel infra-estrutura, como a Argentina ou o Chile. Mas não sabemos o que pode ocorrer se o vírus cruzar a fronteira com o Paraguai ou Bolívia", alertou um dos assessores políticos mais próximos de Ban.

 

Hoje, Ban pediu a um grupo de países ricos em uma reunião fechada em Genebra que não se limitem a fazer investimentos apenas dentro de seus territórios contra a gripe. "Vamos precisar cerca de US$ 1 bilhão para ajudar os demais governos do mundo", afirmou o secretário-geral da ONU. O dinheiro será usado no fortalecimento dos serviços de diagnósticos, na compra da antivirais e na futura compra de vacinas. "Estamos próximos de ter a primeira vacina", afirmou Ban.

 

Sua avaliação é de que, com o fim da temporada de inverno nos países do norte, muitos acreditam que já não há mais motivo para se preocupar com o avanço da gripe. Mas a ONU quer mostrar que isso não é o caso. "Em alguns meses, será inverno mais uma vez nos países do Norte e, se os casos explodirem no Sul, a realidade é que eles voltarão ainda mais potentes para a Europa e América do Norte até o final do ano", afirmou Ban.

 

A idéia, portanto, é que o dinheiro seria importante não apenas para os países mais pobres, mas para os próprios países ricos. Ban revela que voltará a falar do assunto e pedir a ajuda das economias industrializadas durante a reunião do G8 que ocorre nesta semana na Itália.

 

A ONU e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estão conduzindo pesquisas para tentar entender se o vírus H1N1 está ou não ganhando uma nova composição em seu avanço na América do Sul. O temor é de que, se sofrer alguma mutação, as vacinas que estão começando a sair das fábricas em setembro, já não seriam as mais adequadas.

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