REUTERS/Nacho Doce
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OPAS afirma que interrupção de distanciamento social pode levar a segunda onda de casos

Braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas diz que pandemia do coronavírus deve se intensificar na região nas próximas semanas

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2020 | 13h03

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) afirmou nesta terça-feira, 14, que interromper o distanciamento social neste momento poderia causar uma segunda onda de contaminação do coronavírus. As autoridades destacaram que a pandemia vai se intensificar nas próximas semanas na região das Américas, com o aumento da hospitalização e das mortes, e que é preciso elevar a a capacidade de testagem.

"Interromper o distanciamento social muito cedo pode ter o efeito oposto, levando a uma segunda onda de contaminação e prolongando o sofrimento e a incerteza socioeconômica no longo prazo na região das Américas", disse Carissa Etienne, diretora da OPAS, braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) na América do Sul. Ela lembrou que a atividade econômica só voltará quando as pessoas tiverem confiança. "O custo da falta de ação nunca foi maior". 

Segundo Etienne, é preciso incrementar a capacidade logística atual para assegurar que cheguem remédios, alimentos e produtos para a população mais vulnerável. "Pode ser perturbador (fazer o distanciamento social), mas não fazê-lo pode prolongar a crise. O distanciamento segue sendo a melhor opção para deter o vírus e deve ser acompanhado de medidas de apoio social", afirmou.

Carissa Etienne reforçou que as medidas de restrição de circulação de pessoas impedem que os hospitais se sobrecarreguem e que os médicos ou enfermeiros tenham de tomar a terrível decisão de escolher qual paciente atender ou não. Foi ressaltado que muitos países adotaram medidas de distanciamento que permitem aos serviços de saúde operarem dentro de suas capacidades, mas que a medida precisa de mais tempo para ser efetiva. 

Segundo a diretora da OPAS, para haver uma flexibilização, é preciso basear-se em critérios objetivos como a disponibilidade de camas hospitalares e respiradores e a redução de transmissão local. 

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Jarbas Barbosa, vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde, afirmou que até mesmo países desenvolvidos tiveram dificuldade com seus sistemas de saúde após o início da pandemia, destacando a necessidade de tomar as medidas de distanciamento social e físico com adaptações à realidade de cada nação. Ele também citou a importância de o setor privado estar presente nas ações tomadas pelos governos. 

O brasileiro falou da importância de os profissionais de saúde terem todos os equipamentos de proteção individual para que possam seguir prestando serviços. "A proteção desses profissionais é muito importante, eles devem ter prioridades para insumos e máscaras de cirurgia", disse. 

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