AP Photo/Felipe Dana
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Opas alerta para risco de transmissão urbana da febre amarela no Brasil

Organização Pan-Americana de Saúde atribuiu a possibilidade à confirmação de casos em humanos e macacos em áreas próximas a centros urbanos

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

16 Março 2017 | 21h52

BRASÍLIA - A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu na tarde desta quinta-feira, 16, um comunicado sobre febre amarela em que alerta para a possibilidade de o Brasil voltar a ter transmissão da forma urbana da doença. No texto, a organização atribuiu o risco à confirmação de casos em humanos e macacos em áreas próximas a grandes aglomerados urbanos. A Opas observa, no entanto, não haver até o momento evidências de que o Aedes aegypti, mosquito associado à forma urbana da doença, tenha provocado casos da infecção.

Mortes de macacos foram registradas em áreas próximas do Rio. Em Minas, epicentro da epidemia até o momento, um paciente de Esmeraldas, cidade situada na região metropolitana de Belo Horizonte, teve a infecção confirmada. Foi registrada ainda a morte de macacos na região próxima da capital mineira. 



No comunicado desta quinta, a Opas foi mais enfática em relação ao risco de o Brasil voltar a ter a forma urbana da doença - o último caso foi registrado em 1942. Na nota de janeiro sobre o tema, a organização afirmava: "risco de transmissão urbana da febre amarela não pode ser descartado." 

Em 17 de fevereiro, o comunicado dizia que, "mesmo que exista a possibilidade de uma mudança no ciclo de transmissão de febre amarela em curso, até o momento não há evidências de que o mosquito Aedes aegypti esteja envolvido na transmissão."

O Ministério da Saúde, em comunicado, assegurou não haver no momento evidências de febre amarela urbana no País. De acordo com a pasta, equipes de vigilância têm feito coleta de mosquitos nas áreas afetadas para verificar a presença do vírus. O texto assegura que não foram encontrados até agora insetos infectados nas áreas urbanas. 

No alerta desta quinta, a Opas informa que suas equipes estão em diversas áreas afetadas para apoiar o País na resposta ao surto. O comunicado dá destaque ainda para expansão da doença no continente. Além do Brasil, outros cinco países notificaram casos de febre amarela neste ano: Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e Suriname - dois países a mais do que no boletim anterior, divulgado no início de março. 

No Equador, a confirmação do caso é a primeira depois de 2012. No Suriname, nenhuma infecção era registrada desde 1972. O Peru registrou três casos e a Bolívia, um.

A Opas ressalta que Estados precisam continuar seus esforços para detectar, confirmar e tratar adequadamente e de forma oportuna os casos da doença, "dada a atual situação de febre amarela no Brasil e o surgimento de casos em áreas que passaram vários anos sem registros." De acordo com o comunicado, "para isso, é importante que profissionais de saúde estejam atualizados e capacitados para detectar e tratar os casos, especialmente em áreas de circulação do vírus."

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