Operadoras investem em consumidores de baixa renda

Cada vez mais as operadoras de planos de saúde têm voltado os interesses para os consumidores de baixa renda. Para conquistar esse público, as empresas já oferecem convênios individuais a preços bastante populares, custando a partir de R$ 40, para atendimentos ambulatoriais. Porém, é preciso ler atentamente os contratos para não ser prejudicado, pois esses produtos podem apresentar armadilhas de consumo. Quem costuma andar pelo Centro da Capital certamente já foi assediado pelos corretores de seguro médico, que tentam empurrar os planos populares aos consumidores oferecendo inúmeras vantagens. Dentre as opções, a Royal Plus vende um convênio por R$ 40, para consumidores de até 18 anos. A Samcil possui um produto semelhante, vendido a R$ 47. Contudo, após contratar os convênios, muitos usuários descobrem que não há vantagens no produto, com exceção do preço baixo. De acordo com a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, boa parte destes planos baratos oferece coberturas médicas muito restritas aos segurados. "É impossível, por valores tão baixos, oferecer toda a cobertura básica exigida pela lei. Com certeza esses planos não dão direito à cirurgias e, muitas vezes, nem mesmo à internações", afirmou. Outro item que pode prejudicar os consumidores é a abrangência do atendimento. De acordo com Maria Inês, muitas operadoras vendem planos mais baratos que dão direito a usar apenas ambulatórios, hospitais e clínicas de determinadas regiões. "Nestes casos, não compensa para os usuários que costumam viajar com freqüência. Se precisarem de atendimento fora do Estado terão de buscar ajuda no Sistema Único de Saúde", criticou. Antes de assinar qualquer contrato, o Procon de São Paulo recomenda que as pessoas verifiquem se o convênio realmente possui registro na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para fazer a pesquisa, basta acessar o site www.ans.gov.br e selecionar a opção 'Consulta a Operadoras com Registro', na parte inferior da tela. Além disso, a entidade orienta a ler atentamente o contrato para conhecer bem os termos propostos. "Os consumidores devem pesquisar a rede de atendimento do convênio para saber se há locais para consultas e exames perto de casa", explicou a técnica do Procon Renata Molina. "Após verificar os endereços, as pessoas devem ligar para ter certeza da cobertura, pois a relação apresentada pelo corretor de saúde pode estar desatualizada." Ranking de reclamações Todas as seis empresas citadas na reportagem receberam reclamações dos consumidores em 2005 e constaram no ranking do Procon. No entanto, nenhuma dessas seguradoras recebeu nota zero na avaliação da Agência Nacional de Saúde, divulgada em setembro. No mês passado, a ANS 'reprovou' 1.108 operadoras de planos de saúde, das 2.048 avaliadas pelo Programa de Qualificação. As empresas reprovadas receberam multas que variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil. Apesar do alto número de reprovações, as 1.108 empresas com nota zero representam apenas cerca de 20% do mercado de saúde privada, que atendem oito milhões de consumidores. Para chegar ao resultado, a ANS avaliou 41 indicadores, inclusive o grau de satisfação dos usuários.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2006 | 10h40

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