Organização Mundial da Saúde lança plano para conter a malária

Meta é evitar que forma resistente a drogas se espalhe da Ásia para a África e atinja milhões

13 Janeiro 2011 | 23h26

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou na última quarta-feira um plano para evitar que uma forma de malária resistente a medicamentos se espalhe do sudeste da Ásia para a África, onde milhões de vidas podem estar em risco.

Isso custaria cerca de US$ 175 milhões (R$ 290 milhões) por ano para conter a propagação global do parasita, resistente à artemisinina, que surgiu ao longo da fronteira entre a Tailândia e o Camboja em 2007, segundo informou a agência das Nações Unidas.

A artemisinina, derivada de artemísia (gênero de arbustos e ervas da família das Compostas, com folhagem cheirosa), é a droga mais potente disponível contra a malária atualmente, em especial quando usada em uma terapia de combinação com outras drogas (ACT, na sigla em inglês).

A forma resistente - e, portanto, mais difícil de tratar - da malária já está com suspeita de ter se espalhado ao longo da fronteira da Tailândia com Mianmar e em uma província do Vietnã, onde testes de confirmação estão sendo feitos. O grande temor, porém, é que o parasita chegue à África.

"Há uma chance limitada de conter a resistência da artemisinina antes que ela se espalhe", alertou a OMS no relatório "Plano global para a contenção da resistência à artemisinina".

A resistência às gerações anteriores de drogas contra a malária se espalhou rapidamente desde a mesma região do Rio Mekong até a Índia e, em seguida, até a África, resultando em muitas mortes, de acordo com a estratégia da OMS elaborada por 100 especialistas internacionais.

A doença atinge aproximadamente 243 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, causando um número estimado de 863 mil mortes por ano, o que a torna uma "grande assassina", especialmente entre as crianças africanas.

"A urgência é reforçada pelo fato de que nenhum outro medicamento antimalárico disponível oferece os mesmos níveis de eficácia e tolerabilidade como o ACT, e poucas alternativas promissoras estão disponíveis em pesquisas imediatas e no desenvolvimento de produtos", informou o relatório da OMS.

Os US$ 175 milhões necessários para a contenção do parasita resistente incluiria cerca de US$ 65 milhões (R$ 107 milhões) para acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de novos medicamentos não baseados na artemisinina. Globalmente, cerca de US$ 3 bilhões (quase R$ 5 bilhões) são gastos todo ano no controle da doença.

O restante dos recursos seria utilizado para reforçar a vigilância e para a compra de kits de diagnóstico da forma resistente.

O laboratório suíço Novartis e o francês Sanofi-Aventis fabricam a maioria dos ACTs, que tratam por anos 80 milhões e 45 milhões de pacientes, respectivamente, de acordo com a fundação Medicines for Malaria Venture, sediada em Genebra.

A ameaça iminente vem após uma década em que o número de casos foi reduzido pela metade em 43 países, segundo a OMS. A agência disse que o mundo poderia combater todas as mortes até 2015, se fosse feito um investimento maciço acima das medidas de controle, incluindo uma maior utilização de mosquiteiros com inseticida.

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