Organização Mundial da Saúde pede fim do teste sorológico para tuberculose

Entidade afirma que este tipo de teste é impreciso e recomenda a análise molecular de DNA

Efe

20 Julho 2011 | 15h11

Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta quarta-feira o fim dos testes sorológicos para diagnosticar a tuberculose, já que demonstraram ser imprecisos na detecção de um em cada dois casos.

O diretor do departamento para tuberculose da OMS, Mario Raviglione, explicou em Genebra que o uso destes testes é amplamente difundido nos países em desenvolvimento, que contam com sistemas públicos de saúde muito precários e obrigam os cidadãos a recorrer com frequência a médicos particulares.

Segundo Raviglione, não há nenhum sistema público de saúde que recorra a este tipo de testes para o diagnóstico da tuberculose, doença que mata 1,7 milhão de pessoas a cada ano e afeta especialmente os infectados pelo vírus da Aids (HIV).

"Seus resultados são inconsistentes e imprecisos e põem a vida dos pacientes em sério perigo", esclareceu o responsável da OMS, baseando-se nas conclusões de 94 estudos realizados no último ano sobre o tema.

Nos casos de falso negativo, as pessoas não recebem tratamento e podem contaminar outros indivíduos e acabar morrendo. Já nos casos de falso positivo, os pacientes recebem um tratamento que não precisam e que pode causar graves consequências para a saúde, além da despesa desnecessária que acarreta.

Estes testes são efetivos na detecção de outras doenças infecciosas, como o HIV, mas foi demonstrado que são "totalmente ineficazes" no diagnóstico do vírus que provoca uma tuberculose ativa em cerca de 10% dos casos, relatou Raviglione.

"O problema é que se pode ter o vírus sem saber, porque não provoca sintomas visíveis até que a doença se desenvolva, por isso é importante se submeter a testes eficazes no tempo certo", afirmou.

Todos os anos são feitos pelo menos dois milhões destes testes sorológicos comerciais, que são um negócio milionário para as empresas que os fabricam, instaladas fundamentalmente em países desenvolvidos onde quase não são utilizados para o diagnóstico da tuberculose.

Há 18 companhias no mundo que fabricam estes exames, com sede na França, Itália, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Índia, China, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Japão e Cingapura.

"O custo destes testes é de cerca de US$ 30, uma quantia muito elevada para os pacientes dos países de baixa renda, onde são comercializados", ressaltou Raviglione.

A coordenadora de diagnoses de tuberculose da OMS, Karin Weyer, atribuiu seu uso estendido a partir da década de 1990 à relativa rapidez do resultado, que sai em uma ou duas semanas, muito antes do que com os sistemas tradicionais.

No entanto, desde dezembro de 2010, a OMS recomenda o uso da máquina Xpert MTB/RIF, baseada na análise molecular de DNA, que oferece um diagnóstico confiável em apenas alguns minutos e não é suscetível a erros humanos.

Segundo Weyer, os sistemas públicos de saúde já começaram a adotar medidas para seguir a recomendação da OMS sobre o uso dos exames moleculares, mas ainda há um amplo número de médicos particulares que se deixam seduzir pelas ofertas das empresas que fabricam os testes sorológicos.

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