Orientação contra dengue é precária no litoral paulista

Em São Sebastião, visitas de agentes orientando moradores a eliminar mosquito são raras segundo moradores

Rejane Lima, de O Estado de S. Paulo,

21 de novembro de 2008 | 20h45

O autônomo Edivã Conceição Santos, de 40 anos, é um dos moradores da Rua das Árvores, na praia de Boiçucanga, em São Sebastião, que teve dengue esse ano. "Aqui na rua todo mundo pegou", conta Santos, que por causa da doença ficou uma semana de cama em março. Em todo o município, 95 pessoas foram infectadas pelo Aedes aegypti desde janeiro. Apesar de o número ser inferior ao do ano passado (132 casos) e dos 476 registrados em 2006, São Sebastião foi considerado em "situação de alerta" de acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) que identifica os criadouros predominantes e a situação de infestação. O município obteve o pior índice do Estado: 2,8%, o que significa que a cada 100 casas pesquisadas, aproximadamente três estão infestadas pelo mosquito.  Veja também:MPF quer que Santos corrija falhas no combate à denguePrefeito de Itabuna está surpreso por liderar ranking da dengueDengue deixa 71 municípios brasileiros em estado de alertaEspecial: O avanço da dengue Dados reforçam risco de epidemia de dengue no Rio e Salvador Temporão e prefeitos eleitos do Rio discutem combate à dengueTemporão não descarta nova epidemia de dengue no Rio  Com 120 km de extensão ao longo da costa norte do litoral paulista, a orientação é considerada precária por diversos moradores do sul do município, onde ficam praias como Maresias, Boiçucanga, Barra do Una e Juquehy. Os dados que fundamentam o Liraa, por exemplo, foram colhidos apenas nas áreas norte e central, entre os bairros do Canto do Mar e Varadouro. Em Camburi, o ajudante de pedreiro Tiago dos Santos Zonato, de 22 anos, afirmou que nunca recebeu a visita de um agente da Prefeitura em sua casa para ensinar como evitar a proliferação do mosquito transmissor. Por conta própria, o jovem aterrou uma poça formada na rua de terra pela água da chuva. "É para evitar dos carros atolarem e também o mosquito da dengue", disse, afirmando que aprendeu como se prevenir do Aedes aegypti em São Vicente, onde sua mãe mora. "Lá o pessoal vai direto em casa ensinar que não pode deixar garrafa e pneu acumulando água limpa". Vizinho de Zonato, o comerciante Francisco Ferreira de Lima, de 59 anos, discorda do ajudante e afirma que as visitas dos agentes acontecem a cada dois meses. "Essas redinhas aí em cima das caixas d'água (diz apontando para o alto) eles que deram para a população. O problema que muitas caem com o vento", revela. Já em Juquehy, a dona de casa Efigenia do Nascimento, de 22 anos, afirma que a última vez um agente esteve em sua casa foi em junho. "Eles dizem que não pode deixar lixo acumulando água, mas os cachorros e gatos que espalham tudo à noite". Segundo ela, a coleta de lixo acontece diariamente. Porém, em frente a sua casa, na altura do KM 178 da Rodovia Rio-Santos, havia diversos sacos de lixo, além de garrafas e entulhos espalhados no acostamento. "O lixeiro já passou hoje, não sei por que não recolheram". De acordo com o estudo do Ministério da Saúde que integra o LIRAa, a falta de saneamento básico e os problemas na coleta de lixo são preponderantes na proliferação da dengue. Na casa simples onde a cearense Efigênia vive há um ano, a água vem de uma nascente e no banheiro é com fossa. Em nota, a Prefeitura de São Sebastião informou que a equipe de combate à endemias da Secretaria da Saúde desenvolve as atividades de controle, com uma média de recolhimento de aproximadamente 2 mil sacos de criadouros por semana nos bairros do município.

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