Orientação para quem aborta ainda é pouco seguida

Trabalho da USP mostra que, depois do primeiro mês de alta, só 50% usaram algum método prescrito

Lígia Formenti / BRASÍLIA,

16 Novembro 2013 | 17h44

A recomendação de se orientar mulheres hospitalizadas por aborto a adotar, depois da alta, métodos contraceptivos é pouco seguida, revela estudo da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho apresentado pela professora Ana Luiza Borges no Congresso de Planejamento Familiar, na Etiópia, indica que somente 13% delas saíram do hospital com algum método prescrito.

O estudo foi realizado com 180 mulheres, durante maio e dezembro de 2011. O trabalho mostrou ainda que, depois do primeiro mês de alta, só 50% das mulheres tinham usado algum método anticoncepcional. A partir do segundo mês, o porcentual passou para 80%. O grupo, no entanto, passou a usar contraceptivos por decisão própria, sem nenhuma orientação médica.

"As mulheres que sofreram aborto não recebem informação sobre a importância e a necessidade de se evitar a gravidez durante os primeiros seis meses após o aborto", alerta Ana Luiza. O problema, observa, ocorre sobretudo se elas têm intenção de engravidar novamente. "Uma gravidez nos primeiros seis meses traz riscos para o bebê, como o baixo peso e a prematuridade."

Recomendação. O trabalho mostrou também que as mulheres acabam optando por métodos como pílula e camisinha, que não exigem receituário ou médico para administrá-lo. Opções como o DIU e os implantes hormonais, que precisam ser inseridos pelo médico, mas são igualmente eficazes, ficam em segundo plano. Para o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Miranda, o dado é um alerta importante. "Essa recomendação tem de ser feita", disse.

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