Nasa/Reuters
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Origem de Mercúrio é diferente dos outros planetas do nosso sistema

É o que sugere os dados coletados pela sonda espacial Messanger e divulgados nesta quinta-feira

Reuters

16 Junho 2011 | 17h38

CAPE CANAVERAL, Fla. - A origem do planeta Mercúrio pode ser bem diferente se comparado com seus planetas irmãos, como a Terra, sugere os novos dados encontrados nos ricos depósitos de enxofre da superfície, informaram cientistas nesta quinta-feira.

As descobertas da primeira nave a orbitar Mercúrio está forçando os cientistas a repensar como o planeta mais próximo ao Sol se formou e o que aconteceu nele nos últimos 4 bilhões de anos.

O Messenger (que significa "mensageiro", mas é também a sigla em inglês para Exploração, Geoquímica, Ambiente Espacial da Superfície de Mercúrio) está a três meses em uma missão que também já descobriu evidências de um campo magnético assimétrico e feixes de elétrons pela magnetosfera.

"É quase um novo planeta porque nunca tivemos este tipo de observação antes", disse o principal pesquisador Sean Solomon, do Instituto Carnegie de Washington.

Vulcões parecem ter tido um papel importante no atual formato de Mercúrio, provendo material para encher suas crateras, mas também, possivelmente, provendo uma suprimento inesperado de enxofre para a superfície, uma descoberta que sugere que Mercúrio teve materiais diferentes de Vênus, Terra e Marte para a sua formação.

Os cientistas esperavam que Mercúrio, que acredita-se que tenha se formado na parte mais quente e densa da nebulosa solar original, não tinha as temperaturas corretas para aguentar a leveza de materiais como o enxofre. "Elementos como este são, geralmente, perdidos no espaço", disse Solomon. "O fato de termos enxofre na superfície indica que tínhamos gases de enxofre saindo."

"Todas as nossas ideias mais simples - um planeta quente, sem materiais voláteis - não está se mostrando uma história tão simples quanto pensávamos," revela Solomon.

Novas imagens do Messenger mostram uma planície maciça de um antigo fluxo de lava, o maior deles forma um vão de 400 milhões de metros quadrados, o correspondente a quase metade dos Estados Unidos.

Outra surpresa foi em relação ao campo magnético assimétrico, que é tão forte no norte quando no sul. Os cientistas ainda não podem explicar a assimetria, mas uma teoria é que o campo magnético do planeta está em processo de inversão.

Mércurio é o único planeta, além da Terra, que tem um campo magnético e um dos principais objetivos da missão do Messenger é descobrir como Mercúrio, que ostenta um grande núcleo de ferro, foi formado. Cientistas acreditam que o núcleo de Mercúrio, assim como o da Terra, é responsável por gerar o campo magnético.

O Messenger também tem monitorado explosões de elétrons na magnetosfera do planeta. Traços deste fenômeno foram detectados pela primeira vez pela sonda Mariner 10, da Nasa, que passou por Mercúrio em 1974. "Estamos vendo estes fenômenos bem dinâmicos na magnetosfera. É surpreendente e enérgico," diz Solomon.

Os cientistas também procuram saber se Mercúrio esconde gelo nas suas crateras permanentemente sombreadas.

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