“Os postos de saúde estão preparados para vacinar”
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“Os postos de saúde estão preparados para vacinar”

A afirmação é da pediatra Ana Goretti, do Programa Nacional de Imunizações doMinistério da Saúde, sobre a importância da imunização durante a pandemia

GSK, Media Lab Estadão
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23 de junho de 2020 | 11h10

O isolamento social imposto pelapandem ia da covid-19 pode levar a uma queda na procura pela vacinação de rotina (1). O problema foi discutido no fórum online “Diálogos Estadão Think – Vacinação: um ato de amor em tempos de pandemia”. O evento foi realizado pelo Media Lab Estadão em parceria com a empresa global de saúde GSK, no Dia Nacional da Imunização (9 de junho).

Segundo relatório publicado em maio pela Organização Mundial de Saúde (OMS), isso pode deixar 80 milhões de crianças menores de 1 ano de idade de 68 países sem vacinas (2). Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta para a possibilidade de 117 milhões de crianças deixarem de ser imunizadas contra o sarampo (3).

A ameaça ganha contornos ainda mais preocupantes no Brasil, onde antes mesmo da chegada do novo coronavírus já era constatada uma diminuição na cobertura vacinal (4). Para discutir a questão, participaram do debate Renato Kfouri, pediatra infectologista e presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria; Ana Goretti Kalume Maranhão, pediatra do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde; Drauzio Varella, médico oncologista; Bárbara Furtado, pediatra e gerente de vacinas da GSK; e Deborah Secco, atriz e mãe de Maria Flor, 4 anos.

 

POR QUE É PRECISO VACINAR DURANTE A PANDEMIA?

A Dra. Ana Goretti respondeu à pergunta acima, que abriu o debate: “Porque nossos cerca de 37 mil postos de saúde estão preparados para receber e vacinar em ambiente seguro, com os devidos protocolos pessoais e coletivos de combate à covid-19”. As medidas de segurança, segundo a Dra. Ana Goretti, vão do uso de máscaras, luvas e álcool em gel à demarcação de distância mínima entre as pessoas, com possibilidade, ainda, de agendamento, a fim de evitar filas e aglomerações. Outro argumento da médica para manter a imunização em dia é estarmos em plena campanha de vacinação contra a influenza. “Ela irá até 30 de junho em todos os postos da rede pública, e, apesar de não proteger contra a covid-19, ajuda o profissional de saúde no diagnóstico por exclusão, dada a semelhança dos sintomas causados por ambos os vírus”, explica.

A Dra. Bárbara Furtado destacou a falsa sensação de segurança da quarentena, como se o isolamento nos mantivesse definitivamente fora do alcance das demais doenças infecciosas. “Um dia voltaremos ao mundo externo e, quando isso acontecer, teremos contato com diversos vírus”, adverte. Quem não se imunizar agora, portanto, estará suscetível a várias enfermidades evitáveis por vacinação. A necessidade de seguir à risca o cronograma das vacinas (veja quadro abaixo) foi outro importante aspecto abordado pela médica. “Quanto mais atrasar as doses, sobretudo nos primeiros dois anos de vida, mais complicado fica garantira proteção”, salientou.

Essa proteção que beneficia não apenas quem recebe a vacina. “Mas também as pessoas fragilizadas, que por alguma orientação médica específica não possam ser imunizadas”, ressaltou o Dr. Drauzio Varella. É a chamada imunidade de grupo (ou de rebanho). Segundo Drauzio, ela acontece quando alguns são indiretamente protegidos pela vacinação de outros, beneficiando a saúde de toda a comunidade.

CONTROLE DE DOENÇAS E MAIOR EXPECTATIVA DE VIDA

Para contextualizar a importância das vacinas, o médico Drauzio Varella contou que, na época do seu nascimento (1943), a expectativa de vida do homem era de 50 anos. Hoje, é de 73. “Três foram os responsáveis por esse salto: os antibióticos, o saneamento básico e a vacinação”, reforçou a Dra. Bárbara. Afinal, as vacinas controlaram a disseminação de doenças como o sarampo e a rubéola, e ajudam na prevenção da meningite e outras enfermidades. Porém, se as pessoas deixarem de se vacinar por medo da pandemia, esses avanços podem se perder, concluiu o Dr. Drauzio.

“Se baixarmos a guarda, doenças graves podem voltar a causar surtos. Como a poliomielite, erradicada há mais de 30 anos”, alertou o Dr. Renato Kfouri. Por esses motivos, entidades como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) (5), a Organização Mundial de Saúde (OMS) (6) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) (7) publicaram orientações para manutenção dos serviços de imunização, visando evitar surtos de outras enfermidades após a pandemia.

Alinhada com essas medidas, a atriz Deborah Secco não deixa a quarentena atrapalhar o cronograma das vacinas da família. “Estamos sem sair

de casa há dois meses e meio. Não pego nem elevador, pois sou asmática e tenho muito medo da covid-19. Mesmo assim, solicitei uma vacinação

aqui em casa. Eu, meu marido e nossa filha nos imunizamos contra a influenza. E a Maria Flor ainda tomou reforço contra o sarampo”, lembrou. Após o relato, o Dr. Drauzio ressaltou a necessidade de respeitar o cronograma de vacinação em todas as fases, pois há imunizações a serem feitas na infância, na adolescência, na vida adulta e na terceira idade. Para entendê-las em detalhes, vale consultar o site da Sociedade Brasileira de Imunizações (sbim.org.br/).

Em tempos de grupos antivacina e de intensa divulgação, em redes sociais, de falsos dados e estudos, a busca por informações legítimas e de qualidade faz-se mais imprescindível do que nunca. “A vacina do HPV é campeã de notícias falsas e, na verdade, ajuda a combater o vírus que

causa praticamente 100% dos casos de câncer de colo de útero”, exemplifica a Dra. Ana Goretti.”Quem opta por não vacinar deveria responder criminalmente, pois comete um atentado contra a humanidade”, opinou Drauzio. “Vacinar não é uma escolha; é um pacto social que todos devemos cumprir para erradicar doenças”, encerrou Deborah.

COMO O SISTEMA DE SAÚDE PODE LIDAR COM O DESAFIO? 

A Dra. Ana Goretti abriu a discussão sobre o segundo tema do evento: os impactos da quarentena na vacinação. Ela afirmou que ainda é cedo para analisar, mas que não há dúvidas de que o fato de as pessoas estarem com medo de sair de casa vai prejudicá-la. “Desde 2016, estamos vendo uma queda gradativa na cobertura vacinal, o que é causado, entre outros fatores, pelo fato de muitos acharem que doenças que não fazem

mais parte da nossa realidade, como a poliomielite, não oferecem mais riscos, mas muitas ainda estão presentes em outros países”, afirmou. O Dr. Drauzio Varella acrescentou que as crianças deveriam aprender sobre a importância da vacinação nas escolas, pois ajudariam a influenciar positivamente os pais.

Em relação à vacinação de adolescentes, a Dra. Bárbara Furtado comentou que novas vacinas foram adicionadas ao calendário nos últimos anos, por isso é possível que eles não tenham recebido todas. A médica contou também que algumas são indicadas especialmente para essa faixa etária, como é o caso da vacina contra o HPV. “Quem já se contaminou com esse vírus também pode se vacinar, pois existem vários tipos”, explicou.

A médica ainda lembrou a importância de guardar a carteira de vacinação com cuidado. A Dra. Ana Goretti orientou a quem perdeu o documento procurar se há registrono posto de saúde que frequentava quando era criança. “Se isso não for possível, é necessário tomar todas novamente”, disse. A especialista explicou também que nas escolas de alguns estados é exigido que os alunos tenham o documento atualizado na hora da matrícula. Por fim, a Dra. Ana Goretti afirmou que as doses de vacina da gripe que sobrarem da campanha serão direcionadas a gestantes e outras pessoas que as procurem, mas que o ideal é que elas se esgotem durante a ação, principalmente porque as de um ano não podem ser utilizadas no seguinte.

QUEM PODE FAZER PARTE DA SOLUÇÃO?

Para responder à pergunta acima, que abriu o terceiro bloco, o Dr. Drauzio Varella relembrou a época em que sofreu com febre amarela. “A maioria dos médicos acaba sendo negligente com a sua saúde, e comigo não foi diferente, pois me esqueci de tomar a vacina e cheguei a um ponto bem crítico, que foi dolorido para mim e para as pessoas que gostam de mim.” Outro tema de destaque foram as fake news em relação aos efeitos da vacina. “O ideal é não disseminar nenhuma informação se não tiver certeza”, afirmou a Dra. Bárbara. Ela também alertou os médicos a nunca menosprezar as dúvidas dos com que eles procurem as respostas em fontes não confiáveis e tenham acesso a dados errados. A Dra. Ana Goretti contou que o Ministério da Saúde tem uma equipe focada em vasculhar a internet atrás de informações equivocadas, e que esses profissionais podem tirar todas as dúvidas através de um WhatsApp próprio para isso; (61) 99289-4640.

Em relação aos efeitos colaterais das vacinas, os especialistas deixaram bem claro que eles são brandos: dor local ou febre baixa, por exemplo, e que somem em poucos dias, enquanto a doença desencadeia quadros muito mais graves. “O calendário vacinal é estruturado de acordo com o risco que os males oferecem. Se a imunização é indicada, é porque o risco é grande”, afirma Renato Kfouri. “Por isso, não há motivo para optar apenas por algumas delas, e as datas indicadas devem ser respeitadas.” A Dra. Bárbara chamou a atenção para o fato de que vacina não é só coisa de criança. Adolescentes e adultos também devem tomá-las, e os reforços são muito importantes. “Se a pessoa toma apenas algumas doses, é como ter que trocar todos os pneus do carro e só substituir três; fica melhor do que estava, mas não acaba com o risco de um acidente”, compara.


 

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