Os segredos para ter um vôo sem turbulências

Dores de cabeça, sensação de ouvido tampado, náuseas, pele ressecada e jet lag (mal-estar causado pela alteração de fuso horário). Quem está acostumado a fazer viagens um pouco mais longas de avião conhece bem esses sintomas. Apesar de atingirem com mais intensidade profissionais da área, como a tripulação do avião, eles também afetam os viajantes. Além disso, problemas mais sérios como crises de ansiedade e a trombose venosa profunda muitas vezes aparecem associados a viagens de longa duração, por qualquer meio de transporte. A boa notícia é que, com cuidados simples, qualquer um pode fazer um vôo bem tranqüilo.É sempre importante começar a pensar na viagem antes de embarcar. Dormir cedo e bem no dia anterior ajuda a diminuir incômodos com o jet lag e escolher sapatos e roupas confortáveis, de preferência feitos com tecidos que não bloqueiem a transpiração, torna qualquer viagem mais agradável. Levar na bagagem de mão um hidratante alivia o ressecamento da pele, mas também é interessante molhar o rosto durante a viagem e não usar maquiagem. Por causa do mesmo problema, os médicos recomendam que os usuários de lentes de contato tenham sempre à mão um colírio hidratante e um estojo para guardá-las, já que a melhor recomendação é retirá-las durante o vôo. As náuseas e os enjôos, que acontecem por causa do deslocamento do avião (o problema não é exclusivo do transporte aéreo e atinge passageiros de carros, ônibus e barcos também), podem ser evitados com medicamentos simples, ingeridos antes mesmo de decolar e sempre recomendados por um médico. Evitar comer muito no dia da viagem e durante o vôo, especialmente frituras e alimentos muito temperados, também é importante."A viagem por si só não causa nenhuma doença ou dano mais sério, mas pode piorar alguma situação já pré-existente", esclarece Silvio Luiz Cardenuto, clínico-geral do Hospital Samaritano e médico de aviação do ambulatório da Fundação Ruben Berta, da Varig. "Dentro do avião o ambiente é mais seco e a pressão atmosférica, mesmo em ambiente pressurizado, não é a do nível do mar, ou a qual estamos acostumados. Quem tem problemas respiratórios, por exemplo, pode vê-los agravados caso a viagem seja longa", completa. Algumas conseqüências comuns são coriza e obstrução nasal e sensação de secura nas mucosas. E até mesmo problemas mais simples podem ser bem inconvenientes lá no alto. Um dente que tenha ar na cavidade pode causar dor. E um paciente acostumado a tomar medicamentos regularmente tem sua rotina posológica prejudicada pela mudança de fuso horário.Dor de ouvido - Pacientes com sinusite estão entre os que mais sofrem em situações de pressão mais baixa. O ar que está na cavidade óssea se dilata, empurrando a membrana timpânica e causando dores no ouvido. É o que acontece com a estagiária Adriana Apanavicius, de 21 anos, que sofre de rinite e sinusite, e não tem trégua durante o vôo. "Toda vez que eu entro em um avião é a mesma coisa. Na subida, não tenho problemas, mas na hora de pousar, sinto pressão e dor muito forte nos ouvidos e na cabeça. Além disso, meu nariz entope e meus olhos lacrimejam. Uma vez eu até chorei dentro do avião", conta ela.Outro problema que costuma assustar bastante os passageiros é a trombose venosa profunda, que é o desenvolvimento de um coágulo dentro de um vaso sangüíneo capaz de obstruí-lo. "Essa doença não está ligada a viagens aéreas, mas a situações de imobilismo, principalmente se associado a algum fator predisponente, como o uso de anticoncepcional. Por isso, recomendamos que os passageiros movimentem os pés, as pernas e os braços durante o percurso", aconselha Cardenuto. Para quem tem varizes, é interessante viajar com meias elásticas e para evitar inchaço nas pernas, a recomendação é que procure manter as pernas um pouco elevadas.O medo de avião também é recorrente. Pacientes que sofrem de ansiedade estão mais sujeitos a crises de pânico dentro de ambientes fechados como o avião. "Em casos mais brandos, a melhor maneira de se prevenir é a informação. O avião é um meio de transporte muito seguro estatisticamente falando", afirma Cardenuto. "Mas se o problema é sério a ponto de atrapalhar a viagem, recomenda-se um aconselhamento médico e a possibilidade de uso de ansiolítico. O mais importante é não se refugiar no álcool, que pode piorar e muito a situação", recomenda.Com a baixa pressão, o oxigênio fica em menor quantidade. No cérebro e associado ao álcool, traz perturbações para sistema nervoso central. A pessoa pode adquirir um comportamento agressivo e inconveniente. A ingestão de bebidas alcoólicas durante o vôo, aliás, pode ser prejudicial tanto para o consumidor quanto para os outros passageiros. "Esse problema é tão sério que muitas companhias cobram pelas bebidas alcoólicas, o que não ocorre com sucos, água e refrigerante. A idéia é desestimular o consumo", explica o médico.

Agencia Estado,

30 de junho de 2006 | 15h13

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