REUTERS/Adnan Abidi
REUTERS/Adnan Abidi

OMS recomenda oxímetro para pacientes de covid-19; confira orientações de uso

Aparelho serve para medir a oxigenação; especialista diz que até o SUS poderia emprestar o equipamento

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 11h00

Nesta terça-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nova orientação para tratamento de pacientes com covid-19 que envolve o uso do oxímetro de pulso. O aparelho serve para medir a oxigenação. Especialistas apontam que o aparelho pode acompanhar a variação do oxigênio e ser útil no atendimento. Para uma parte dos casos, o equipamento poderia até ser emprestado pelo SUS.

Especialistas ouvidos pelo Estadão afirmam que os oxímetros disponíveis no mercado não diferem muito entre si no quesito desempenho. O importante é o uso adequado e o acompanhamento consistente da evolução da doença. Nos sites de grandes varejistas, é possível encontrar aparelhos que variam de R$ 55 a R$ 190.

O presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, José Miguel Chatkin, explica que é necessário posicionar bem o oxímetro para resultados mais precisos. “Não pode ficar semi-aberto, e a pessoa tem que estar sem esmalte, porque a leitura é feita pela por meio da unha. Se há algum obstáculo, vai dar um valor baixo de saturação de oxigênio que não é verdadeiro.”

Chatkin lembra também que, além do número de saturação, o paciente precisa observar se há uma tendência de queda. Para ele, uma saturação de oxigênio de 92% já é preocupante, mas não existe um intervalo ideal de aferição definido, já que os organismos respondem de maneiras diferentes à covid-19. “Se começar a surgir algum desconforto, o nível de oxigênio precisa ser medido com uma frequência maior. E, se cair muito, ir para o hospital receber suplementação de oxigênio”, disse. 

Para a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a adoção do oxímetro é um assunto que já deveria ter sido tomada desde o começo da pandemia, pois, diz ela, é uma medida "barata" e que ajudaria a salvar mais vidas, já que os casos poderiam chegar menos graves nos hospitais. 

"A covid-19 é um vírus diferente do que a gente já viu até agora. Geralmente, quando uma pessoa está com 50% do pulmão comprometido, ela está péssima. Mas com o Sars-CoV-2, ela está bem, falando e andando, só que a função pulmonar está comprometida." 

Ethel defende que o oxímetro seja emprestado no SUS da mesma forma com que é feito com o aparelho de aferição para os pacientes com diabetes. "A pessoa fez o exame e deu positivo? Ela vai para casa com o oxímetro emprestado pelo SUS e monitora. A gente ensinaria a usar. Uma saturação menor que 95% já não é um bom sinal. Geralmente há uma piora (dos sintomas) entre o 7º e o 8º dia. Depois de 10 dias, ela devolve o aparelho para que possa ser emprestado a outro paciente", afirmou.

Segundo a porta-voz da OMS, Margaret Harris, em declaração nessa terça-feira, "os pacientes de covid-19 em casa deveriam usar oxímetro de pulso, que é a medição dos níveis de oxigênio, para que se possa identificar se algo em casa está se deteriorando e se seria melhor ter cuidados hospitalares", disse em Genebra. A OMS aconselhou ainda aos clínicos gerais a colocarem os pacientes de bruços, o que se demonstrou melhorar o fluxo de oxigênio, disse ela. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.