Paciente com Ebola em Dallas segue em situação crítica

Segundo o chefe Dr. Thomas R. Frieden, objetivo é continuar monitorando diariamente pacientes que foram expostos ao vírus

O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2014 | 17h14

O cidadão liberiano hospitalizado em Dallas com o vírus Ebola segue em condição crítica nesta segunda-feira, disse o diretor do CDC (Centro de Controle de Doenças, em inglês). Conforme funcionários da área de saúde informaram, nenhuma das cerca de 50 pessoas que teriam sido expostas ao vírus mostraram sinais da doença.

Em conversa ao programa "Today", da emissora NBC, o diretor Dr. Thomas R. Frieden disse que dez pessoas que tiveram contato direto com o paciente portador do ebola Thomas E. Duncan, assim como 38 outras pessoas com suspeitas de terem entrado em contato com ele, têm tido suas temperaturas monitoradas diariamente e não desenvolveram febre ou outros sinais de infecção.

"O objetivo é continuar fazendo o monitoramento diariamente - e nós do Texas estamos fazendo isso corretamente - e, se eles tiverem febre, isolá-los para impedir a transmissão", disse Frieden. A febre é um dos sintomas iniciais do vírus.

Duncan permanece em estado crítico no hospital Texas Health Presbyterian, em Dallas, informaram as autoridades.

Na segunda-feira, Ashoka Mukpo, de 33 anos, cinegrafista freelance que contraiu o vírus trabalhando para a NBC na Libéria, chegou aos EUA para receber tratamento num avião especialmente equipado.

Mukpo será tratado na unidade de biocontaminação no Nebraska Medical Center, em Omaha, que foi concebido para receber pacientes com doenças extremamente contagiosas, informou a NBC. Outro paciente com ebola, o Dr. Rick Sacra, missionário de uma instituição de caridade da Carolina do Norte, foi tratado lá e depois liberado.

No domingo, no apartamento onde Duncan vinha morando com Louise Troth, sua namorada, uma das crianças dela e dois jovens, cerca de vinte caixas foram enchidas com roupas e outros pertences. Os quatro foram transferidos para uma casa temporária na sexta-feira e seguem sob ordens para não deixar o local.

As caixas removidas da casa foram guardadas "em local extremamente seguro e protegidas pelas autoridades policias de Dallas", disse Sana Syed, porta-voz da cidade. Os resíduos médicos potencialmente contaminados que foram produzidos até o momento no hospital, como lençóis, aventais e luvas, foram incinerados.  

Funcionários da cidade disseram ter encontrado um morador de rua que estava entre as pessoas monitoradas. O homem viajou na ambulância que levou Duncan ao hospital, antes do veículo ter sido isolado e limpo. Funcionários disseram que o homem, a quem eles identificaram como Michael Lively, havia sido monitorado no sábado e, depois, aparentemente, se escondido.

Procuradores em Dallas disseram estar considerando se vão processar Duncan, depois de informações darem conta de que ele omitiu, antes de embarcar para os EUA, que havia entrado em contato com uma mulher que acabou morrendo de ebola na Libéria depois ter mentido sobre o contato antes de embarcar no avião para os EUA.

"Estamos discutindo intensamente sobre se devemos considerar isso como uma questão criminal", disse Craig Watkins, procurador do distrito de Dallas, à NBC no domingo. "Estamos trabalhando com diferentes agências para aprofundarmos o caso."

Seu porta-voz disse que procuradores já haviam processado portadores de HIV que ,conscientemente, haviam mantido relações sexuais sem proteção, e que o caso de Duncan pode ser semelhante. 

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