Aijaz Rahi/AP
Aijaz Rahi/AP

Paciente londrino pode ser 2º no mundo a ficar livre da aids

Caso, que envolve transplante de medula óssea, deve ser detalhado hoje e pode guiar avanços nas área

AFP e Reuters, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2019 | 23h08

Um homem britânico tornou-se o segundo adulto no mundo a ser curado da aids, após um transplante de medula óssea de um doador resistente ao vírus HIV, anunciaram seus médicos, preservando a identidade do paciente. É apenas a segunda vez desde o início da epidemia global de aids, nos anos 1980, que um paciente parece ter sido curado da infecção por HIV.

A notícia chega quase 12 anos depois do primeiro paciente que teria sido curado, e em circunstância parecida. O sucesso do tratamento aumenta as esperanças de que uma nova estratégia para a cura de pacientes com o vírus da aids seja possível. 

Os investigadores devem publicar o seu estudo nesta terça-feira na revista científica Nature. Publicamente, os cientistas estão descrevendo o caso como uma “remissão em longo prazo”. Em entrevistas, a maioria dos especialistas confirma se tratar de uma “cura”, com a ressalva de que é difícil saber como definir a palavra quando há apenas dois casos conhecidos.

Quase três anos depois de receber células-tronco da medula óssea de um doador com uma mutação genética rara que resiste à infecção pelo HIV — e mais de 18 meses depois de largar as drogas antirretrovirais —, testes altamente sensíveis mostram que até agora não há vestígio da infecção por HIV no paciente tratado.

“Não há vírus lá que consigamos medir. Não conseguimos detectar nada”, disse Ravindra Gupta, professor e biólogo especializado em HIV da Universidade de Cambridge que liderou uma equipe de médicos que trataram do homem. O paciente contraiu o HIV em 2003, disse Gupta, e em 2012 ele foi diagnosticado com um tipo de câncer no sangue chamado Linfoma de Hodgkin.

Apesar da esperança, os médicos alertaram que o resultado não significa que uma cura para o HIV tenha sido encontrada. Gupta descreveu seu paciente como “funcionalmente curado” e “em remissão”, mas advertiu: “É muito cedo para dizer que ele está curado”.

O homem está sendo chamado “o paciente de Londres”, porque seu caso é semelhante ao primeiro caso conhecido de uma cura funcional do HIV — em um homem americano, Timothy Brown, que ficou conhecido como o paciente de Berlim – onde foi submetido a tratamento semelhante, em 2007.

Brown, que vivia em Berlim, mudou-se para os Estados Unidos e ainda está livre do HIV. Cerca de 37 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o HIV, e a pandemia de aids matou cerca de 35 milhões de pessoas em todo o mundo desde que começou, na década de 1980.

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