REUTERS/Rahel Patrasso
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Paciente que morreu por coronavírus em SP não estava em lista de casos confirmados

Governo de São Paulo só confirmou covid-19 em vítima um dia após a morte; equipe estadual estuda ampliar testes

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 17h19
Atualizado 03 de abril de 2020 | 18h22

SÃO PAULO – A primeira morte pelo novo coronavírus no Brasil foi de uma pessoa que estava fora da contagem oficial de infectados, que é informada diariamente pelo Ministério da Saúde. O governo de São Paulo, que assim como os demais Estados repassa a Brasília os dados locais, não tinha confirmado a contaminação do paciente até as 10h30 desta terça-feira, 17.

O óbito ocorreu na segunda, 16. A Secretaria Estadual da Saúde, agora, diz que estuda formas de ampliar os centros de diagnóstico para mapear melhor o crescimento do surto de coronavírus no Brasil. 

A vítima, um paulistano que não havia viajado para o exterior, ficou seis dias internado em um hospital de uma rede particular de São Paulo. O resultado do teste só foi recebido após o óbito. Essa rede teve mais quatro mortes em que há suspeita de infecção pelo novo coronavírus. 

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, parentes da vítima também apresentaram sintomas semelhantes aos do coronavírus, mas ainda não foram submetidos ao teste. Segundo a reportagem, a vítima teve convívio próximo com o pai, de 83 anos, a mãe, de 82, o irmão, de 61, e duas irmãs, de 60 e 55.

O irmão disse que procurou atendimento e pediu pelo teste, mas disseram que não tinha. Agora, ele está evitando sair de casa. Uma das irmãs chamou o Samu e teria sido internada, segundo relato dos parentes à reportagem. "A gente tentando sempre tomar cuidado, indo no médico direto. Agora não sei mais o que vai ser. Pegou uma família inteira. Estamos na mão de Deus", disse o irmão da vítima. 

Sem exames em massa, que é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), o governo de São Paulo não tem o dado exato de quantos pacientes em estado grave (com risco de morte) estão internados no Estado neste momento.

Até esta terça-feira, o País tinha 291 casos confirmados de coronavírus, segundo o Ministério da Saúde. Em São Paulo, há 162 casos confirmados, mas não há dado exato sobre quantos correm risco de morrer. A estimativa das autoridades, baseada em pesquisas já publicadas sobre o coronavírus, é de que 8% dos pacientes infectados evoluam para estado grave, segundo o infectologista David Uip, que coordena a equipe de combate à pandemia no Estado. 

Até segunda-feira, Uip se mostrava contrário à ampliação dos exames, dizendo que a massificação de testes era “ideal”, mas não “real”. Ontem, ele disse que seu grupo de trabalho irá fazer a recomendação ao governador João Doria (PSDB) para ampliação do centro de diagnóstico do Estado. 

Uip disse que há “a missão de arquitetar essa possibilidade de ampliação dos centros de diagnóstico em todo o Estado” para, depois, buscar recursos para operá-lo. “Vamos aguardar também a orientação do Ministério da Saúde, que é o órgão maior que deve fazer a política e disponibilizar recursos”, disse Uip.

O secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, também sinalizou nesse sentido. “Entendemos que é adequado tentar ampliar os centros de diagnóstico”. Ele destacou, entretanto, que o centro de diagnósticos público não é voltado para análises e entregas de resultados individuais para pacientes, mas sim para orientar com dados as políticas públicas. 

“O laboratório de saúde público tem que ampliar a sua rede mas a finalidade dele é ampliar a vigilância para o controle da epidemia. Nós já temos informação suficiente para ver que a epidemia está subindo rapidamente, os números crescem a cada dia”, disse o coordenador do Centro de Doenças (CCD) de São Paulo, Paulo Menezes. 

Nesta segunda, depois da orientação da OMS sobre massificação dos testes, o Ministério da Saúde já havia sinalizado a possibilidade de ampliar os exames, embora sem ações concretas. O entendimento anterior era que os exames em pacientes internados só deveriam ser feitos até a constatação de transmissão comunitária (quando o vírus já circula em determinada região). Constatada essa transmissão, segundo o ministério, já não haveria sentido em testar todo caso suspeito, pois já se saberia da circulação do vírus no território, o que seria o fator determinante para o planejamento das ações públicas. 

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