Pacientes com dengue lotam hospital de campanha no Rio

Capacidade de atendimento se esgota às 12h; carência de leitos leva a propostas de extensão no atendimento

Pedro Dantas e Lígia Formenti, Agência Estado

01 de abril de 2008 | 20h59

A grande procura de pacientes com suspeita de dengue provocou o esgotamento dos leitos na rede pública do Rio e o fechamento precoce da maior estrutura de apoio montada pelas Forças Armadas. O Estado anunciou o aluguel de 100 leitos na Santa Casa da Misericórdia, no Centro do Rio, e o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, pediu nesta terça-feira, 1, à Prefeitura que "pelo menos a metade" dos postos de saúde do município ficassem abertos 24 horas para amenizar a "carência de leitos". A Defensoria Pública da União entrará com ação civil pública exigindo a abertura dos postos no final de semana. Veja Também: Especial - A ameaça da dengueUbatuba-SP tenta impedir entrada de dengue do RioNo dia seguinte à abertura, hospital militar vive caos no RioContratação de pediatras não resolve dengue no RJ, diz SoperjEmbrapa desenvolve inseticida para morador usar em criadouroJuíza determina que SUS garanta vaga para doenteDengue atinge status de epidemia no RioEpidemia de dengue ameaça 30 cidades do País Na capital, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, das 147 unidades de saúde, 21 ficam abertas 24 horas. O prefeito Cesar Maia rebateu e disse que o Município disponibiliza "desde janeiro 130 postos para hidratação."  O prefeito prometeu a inauguração do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, conhecido como Hospital de Acari, cuja construção terminou em 2004, para esta semana. A abertura da unidade ofereceria 298 leitos. Menos de 48 horas após a inauguração, o hospital de campanha da Aeronáutica, na Barra da Tijuca (Zona Oeste), não suportou nesta terça-feira, 1, a grande procura e encerrou a distribuição de senhas antes do meio-dia, quando a capacidade de 400 atendimentos foi esgotada. "Até às 10h30, já tínhamos distribuído 217 senhas, ou seja, mais da metade de nossa capacidade. Encerramos a distribuição antes do meio-dia para evitar a degradação da qualidade do atendimento", disse o tenente-coronel Henry Munhoz, responsável pela Comunicação Social da Aeronáutica.  Em comparação com o mesmo horário do primeiro dia de funcionamento, nas primeiras horas da manhã o hospital recebeu o triplo de pacientes. Durante todo o dia de ontem, 407 pessoas foram atendidas e 267 casos de dengue foram clinicamente constatados, sendo 47 em crianças.  Segundo a Aeronáutica, um fator que prejudicou o atendimento foi a ocupação dos leitos de hidratação por pessoas que, por falta de vagas na rede pública, ficaram no hospital da Aeronáutica. Nove Pacientes passaram a noite de segunda para terça-feira no local e nesta terça-feira, 1, o número de "internados" subiu para 13, que foram transferidos após a intervenção do secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortês. "Trouxe uma filha para ser examinada e a outra que eu achava que estava melhor é que ficou internada", contou a operadora de telemarketing Adriana Maria do Carmo, de 36 anos. As duas filhas dela estão com dengue. A mais nova, Ariane, de um ano e cinco meses, foi internada no Instituto Fernandes Figueira da Fiocruz e a mais velha Adriele, 10, foi liberada. Cansada da espera nos hospitais particulares, a classe média também procurou o hospital de campanha. "Fiz o exame na clínica particular que sairia apenas 48 horas. Estou passando mal e vim aqui para saber o que tinha. O resultado saiu em três minutos. Parece que estou com dengue, pois a contagem de plaquetas do meu sangue está baixa. O atendimento foi ótimo", disse o cantor Sílvio Luís do Rego Júnior, o Silvinho Blau Balu. O administrador de empresas, Marcos Calil, de 41 anos, também evitou as filas nos hospitais particulares. "Tenho plano de saúde, mas fiquei assustado com o relato de amigos, que esperaram até cinco horas em clínicas particulares. Sabia que aqui o atendimento era melhor e não me decepcionei", afirmou Calil. Nesta terça-feira, 1, no Hospital de Campanha da Marinha, que funciona apenas como apoio no atendimento pacientes com suspeita de dengue do Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foram realizados 414 atendimentos, sendo 242 de pacientes adultos e 172 dos pacientes crianças. Nos dos dias, os médicos da marinha atenderam 638 pessoas e constataram 320 casos de dengue, sendo quatro casos de emergência. No hospital de campanha, que funciona exclusivamente para hidratação dos pacientes do Hospital Carlos Chagas, em Deodoro (Zona Oeste), atendeu 140 pessoas e removeu uma pessoa que estava em estado grave. Ampliação do atendimento O secretário-adjunto de Vigilância do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta, defendeu nesta terça-feira, 1, a abertura das unidades básicas no Rio durante os fins de semana. A medida, disse ele, é essencial para reduzir a alta demanda nos hospitais. "Se o paciente encontra fechada a porta de entrada do sistema, que é o posto de saúde, ele vai para o hospital." Pimenta afirmou que a Secretaria Municipal do Rio deveria receber um pedido formal da Secretaria Estadual de Saúde para a ampliação do horário de atendimento. Tal orientação deveria ser transmitida numa reunião realizada na Comissão Metropolitana de Dengue.  "Essa recomendação tem o aval do ministério. É preciso abrir as unidades sábados e domingos. Dependendo do bairro, o ideal seria também ampliar também o horário de atendimento de segunda a sexta", completou. De acordo com o secretário, a hidratação geralmente demora seis horas para ser realizada. "Se um posto fecha às 17h, ele só vai aceitar fazer hidratação de pacientes que chegarem até as 11 horas. Numa situação como a atual, acho que adaptações no serviço tem de ser feitas. Isso é bom para todo o sistema." Pimenta afirmou que na quinta-feira, 3, uma reunião deverá ser realizada para discutir a transferência de médicos pediatras de outros estados para o Rio. O representante do Conselho de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Jurandir Frutuoso, no entanto, afirmou que o recrutamento não será fácil. "Há uma falta de médicos pediatras nos serviços públicos de saúde", comentou.

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