Pacientes com Ebola fogem de clínica

Vinte pessoas estavam em isolamento na Libéria quando jovens com paus entraram e roubaram lençóis e colchões sujos de sangue

Agências internacionais

18 Agosto 2014 | 02h03

MONRÓVIA - Cerca de 20 pessoas fugiram de um centro de isolamento para pacientes com Ebola em Monróvia, capital da Libéria, na madrugada de ontem, depois que homens armados invadiram o local. Com toras de madeira, jovens entraram no prédio gritando frases contra a presidente Ellen Johnson Sirleaf e afirmando que não há Ebola no país.

"Eles forçaram as portas e saquearam o centro. Todos os doentes e os enfermeiros fugiram", relatou Rebecca Wesseh, que testemunhou a invasão. A declaração de Rebecca foi confirmada por vários moradores da área e pelo secretário-geral dos Trabalhadores de Saúde da Libéria, George Williams. Segundo ele, o centro chegou a ter 29 pacientes, mas 9 morreram.

O grupo levou do centro - localizado na favela West Point, a maior da capital, onde vivem cerca de 50 mil pessoas - lençóis e colchões, muitos manchados com sangue e vômito.

Após a invasão, a polícia teve de intervir para restaurar a ordem na vizinhança. A desconfiança em relação ao governo é grande - com frequência circulam rumores de que policiais planejam esvaziar a favela.

Oficiais da Libéria temem que o uso do material do centro roubado faça com que o vírus se espalhe. O Ebola é transmitido por contato com sangue e fluidos corporais de pessoas infectadas e, por causar hemorragias graves, tem taxa de mortalidade em torno de 90%. O vírus já matou 1.145 pessoas na África Ocidental - 413 delas na Libéria -, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na tentativa de conter o número de mortos, a Libéria começou a ministrar a doentes doses de Zmapp, soro experimental fabricado nos Estados Unidos que chegou na semana passada ao país, informou ontem o Ministério da Saúde. Entre as pessoas que receberão a droga estão vários médicos liberianos que foram infectados pelo vírus.

Sob suspeita. Uma nigeriana de 35 anos que morreu em Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes, pode ter sido vítima do Ebola, divulgaram ontem as autoridades de saúde. A mulher viajava da Nigéria para a Índia para fazer um tratamento contra câncer e suas condições pioraram durante uma escala no aeroporto de Abu Dabi. As pessoas que estavam ao redor dela no avião e os cinco médicos que a atenderam estão isolados.

Já na Espanha, os resultados dos exames de um nigeriano internado com suspeita de Ebola deram negativos para a doença, segundo o Departamento Sanitário da Região de Valência.

Foi a primeira suspeita de infecção por Ebola no país desde a morte do missionário espanhol Miguel Pajares, de 75 anos, no início do mês, em Madri. O estado do paciente, atendido inicialmente no Hospital Geral de Alicante, é estável.

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