Pacientes com leucemia ficam sem medicamento fornecido pelo governo

Secretaria Estadual da Saúde informa que situação será normalizada nas próximas semanas

Mariana Lenharo,

15 de janeiro de 2013 | 18h47

SÃO PAULO - Na semana passada, dez pacientes com leucemia mieloide crônica contataram a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) a respeito da falta do medicamento imatinibe (cujo nome comercial é Glivec). A droga de alto custo é adotada no Brasil com o tratamento de primeira linha para a doença e é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde.

Uma das pacientes afetadas foi Brasilina Rodrigues Girondi, de 71 anos. Ela foi diagnosticada com leucemia mieloide crônica em agosto. A recomendação de seu médico foi que ela começasse a tomar o imatinibe em até um mês. Neste prazo, recebeu um telegrama orientando que ela aguardasse um novo telegrama que informaria o local e a data de retirada do medicamento. Até hoje, não houve resposta.

Ela conta que chegou a receber uma doação de um médico de outro município com doses suficientes da droga para um mês. Mas, depois disso, voltou a ficar sem a medicação.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo afirma que os casos específicos relatados pela Abrale são de pacientes que não são contemplados pelo protocolo federal para recebimento gratuito da droga e que recebem o medicamento diretamente da secretaria por meio de um canal de solicitações administrativas.

No penúltimo pregão para compra da droga pela pasta estadual, não houve nenhuma empresa interessada em vender o medicamento, por isso houve o desabastecimento. "Novo pregão foi realizado, desta vez com sucesso, e a previsão é de que a situação esteja normalizada nas próximas semanas", afirmou a Secretaria, em nota.

Segundo o médico Carmino Antonio de Souza, presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), a interrupção do tratamento com imatinibe para pacientes com leucemia mieloide crônica, teoricamente, é prejudicial.

"Hoje está demonstrado cientificamente, inclusive temos um trabalho mostrando isso, que a aderência ao tratamento é o ponto crítico na resposta. Aqueles que têm acima de 96% de aderência, tem uma evolução muito melhor do que os de baixa aderência, com menos de 80%."

O hematologista acrescenta que tudo depende do momento da doença do paciente e o grau de resposta que ele já obteve anteriormente. "Se ele tiver uma resposta profunda ao medicamento, a parada por um período curto não causa prejuízo. Se não for tão profunda, o paciente pode recair e mudar de fase da doença", diz.

Produção nacional

Em dezembro, o Ministério da Saúde anunciou que o País passou a produzir o imatinibe. Os responsáveis são o Instituto de Tecnologia em Fármacos/Famanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Vital Brazil, em parceria com empresas privadas.

O Ministério afirmou que, em dezembro, já repassou para as secretarias estaduais de saúde a quantidade de medicamento suficiente para o primeiro trimestre de 2013.

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