EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
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Pacientes da Unimed Paulistana reclamam de falta de atendimento

Operadora foi obrigada pela Agência Nacional de Saúde a transferir seus 744 mil clientes para outros planos de saúde em 30 dias

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 13h42

Cancelamento de consultas, demora para marcar exames e descredenciamento de médicos são os problemas que os clientes da Unimed Paulistana vem enfrentando no último mês e que se intensificou nesta semana. Na quarta-feira, 2, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que a operadora terá de transferir seus 744 mil beneficiários para outros planos de saúde, em até 30 dias.

No entanto, a determinação prevê que a Unimed Paulistana garanta a assistência a todos os beneficiários até a completa transição para outra operadora de saúde. Não é o que a servidora pública Bruna Moliga Souza Silva, 28 anos, tem constatado. Desde o início da semana ela tenta marcar um exame, mas os laboratórios, que costumava usar, dizem que foram descredenciados ou que não têm nenhuma data próxima. "Só hoje (quinta-feira, 3) consegui marcar o exame para novembro".

Bruna contou ainda que recebeu ligação de médicos desmarcando consultas que tinha para a próxima semana. "O pior é que nos tratam de forma grosseira, como se fôssemos nós que estamos devendo e não a Unimed. A corda estoura sempre para o lado do mais fraco e dessa vez os prejudicados foram os pacientes".

A supervisora de administração Valéria de Araújo, de 43 anos, também está preocupada com o descredenciamento dos médicos que atendiam sua família. O marido de Valéria, de 48 anos, fez uma cirurgia no esôfago há cerca de um mês e o médico que acompanhava seu tratamento foi descredenciado. "Estamos muito inseguros porque não sabemos a quem recorrer, não nos comunicaram dessas mudanças só ficamos sabendo pela imprensa e agora não sabemos como agir em caso de emergência".  

De acordo com a assessoria da agência, os pacientes que se sentirem prejudicados com o descredenciamento de médicos e a negativa de atendimentos devem formalizar as reclamações com a ANS para que possam ser apuradas. Caso as denúncias sejam confirmadas, a Unimed pode ficar sujeita ao pagamento de multas. No caso de negativa de atendimento médico, por exemplo, a multa pode variar de R$ 80 mil a R$ 100 mil.

Sobre as reclamações dos pacientes, a Unimed Paulistana informou que continua trabalhando "dentro das determinações da ANS, preservando a assistência aos clientes, o que também é responsabilidade da rede credenciada (hospitais, clínicas e laboratórios)". 

Problemas financeiros. De acordo com a ANS, a determinação teve como motivação problemas econômico-financeiros, além de “anormalidades assistenciais e administrativas graves”. A agência afirmou que desde 2009 acompanha a situação da operadora por meio de monitoramento feito por agentes nomeados pela agência. 

Se a transferência não ocorrer dentro do prazo estabelecido, a agência realizará uma oferta pública para que empresas apresentem propostas de contrato para os clientes da Unimed Paulistana. “A (operadora) interessada deverá possuir situação econômico-financeira adequada e manter as condições dos contratos sem prejuízos aos consumidores.” 

Em nota, a Unimed Paulistana informou que “já está comunicando clientes, corretoras e cooperativas sobre a decisão da ANS e o atendimento à carteira em vigor continua normalizado”. 

A operadora disse que, nos próximos 30 dias, a comercialização de novos planos ou produtos está suspensa, conforme prevê a resolução. Informou ainda que a nova administração, que assumiu em abril, constatou “anormalidades econômicas e financeiras” e avalia atuar como prestadora de serviços de saúde, “o que fará por meio de seus recursos próprios e de sua rede de cooperados”.

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