Pacientes dividem os poucos remédios que restam

Aposentada por invalidez, por causa de uma hipertensão pulmonar arterial, Adriana Casimiro Rosa tomou anteontem o último comprimido de Bosetan, medicamento que limpa as artérias, melhorando a respiração. "Sem o remédio, fico com o pé na cova." A frase parece de efeito, mas ela acredita no que diz. Tanto que, aos 35 anos, até comprou o caixão onde pretende ser enterrada. "Moro sozinha. Não tenho família. Minha esperança era o Bosetan." Ao custo de R$ 10 mil a caixa, suficiente para apenas um mês, o Bosetan é importado e está em falta no estoque da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. A assessoria do órgão atribui o problema à greve da Anvisa e informa que a situação se repete com "dezenas de outros medicamentos", sem citar os nomes. Diante da escassez, um grupo de 15 pacientes reunidos numa associação recorreu ao improviso: caixas foram divididas, de acordo com a solidariedade e o estado de saúde de cada um. Agora, porém, isso não é mais possível, já que o remédio acabou para todos. "Disseram que o medicamento já está no Brasil, mas depende de liberação da Anvisa. É um absurdo", reclama o presidente da associação, Marcos Antonio Pereira, de 44 anos, sem remédio há uma semana. Ele conseguiu as últimas duas caixas de um paciente que morreu recentemente. "Dividi os comprimidos. Dez deles eu dei para a Adriana", conta. "Pessoas estão sofrendo e podem morrer se ninguém fizer nada."

Agencia Estado,

27 de abril de 2006 | 10h50

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