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Brasil confirma caso de sarampo após 3 anos sem a doença

Vítima é bebê venezuelano que imigrou para o País; há ainda outros sete registros em investigação em Roraima, sendo um de brasileiro

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2018 | 22h56

Livre do sarampo há quase três anos, o Brasil informou nesta terça-feira ter registrado um caso confirmado da doença e outros sete suspeitos no Estado de Roraima. Sete dos oito registros são de cidadãos venezuelanos que migraram para o Brasil afetados pela crise no país vizinho, onde surtos de sarampo e malária são realidade. A outra vítima da doença é um bebê brasileiro morador de Boa Vista.

Os dados causaram alerta no Ministério da Saúde diante da possibilidade da expansão do vírus entre imigrantes e brasileiros não vacinados. A preocupação se justifica principalmente pelo fato de a cobertura da vacina tríplice viral (que protege contra o sarampo) estar abaixo do esperado em várias regiões do País. Em Roraima, apenas 84% do público-alvo recebeu as duas doses da vacina no ano passado, enquanto a meta é imunizar 95% desse grupo.

“Essa é uma doença altamente contagiosa, com facilidade de provocar surtos. Mesmo que tenhamos cidades ou áreas com altas coberturas, alguns bolsões com baixo índice de vacinados podem registrar surtos”, alerta a médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A ameaça, caso se concretize, também pode fazer o Brasil perder o certificado de eliminação do sarampo, emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2016.

Dados do ministério mostram que apenas um Estado brasileiro – o Ceará – registrou cobertura vacinal dentro da meta no ano passado (98%). Em todas as outras unidades da federação, a taxa é inferior a 95%, chegando a apenas 51% no Maranhão e no Rio Grande do Norte, Estados com as menores coberturas vacinais. Na média do País, apenas 68% do público-alvo tomou as duas doses da tríplice viral no ano passado.

Em São Paulo, o índice de vacinados ficou em 64% em 2017. A Secretaria da Saúde paulista informou que a doença está controlada e não há registro de casos desde 2015.

Medidas. Diante do quadro em Roraima, o Ministério da Saúde vai enviar, a pedido do governo do Estado, 80 mil doses extras do imunizante para intensificar a vacinação em brasileiros e imigrantes. Em Roraima, 1,9 mil venezuelanos foram vacinados desde o dia 13.

Uma equipe do ministério viajou para o Estado para auxiliar no planejamento das atividades de investigação e imunização. Ainda nesta semana, a pasta “realizará um treinamento para os profissionais de saúde do Estado e da capital Boa Vista, sobre aspectos gerais da doença e ações de vigilância epidemiológica”.

A partir do dia 3, o governo do Estado realizará uma campanha de vacinação em todos os 15 municípios para evitar o surto. A expectativa é fazer uma busca de casa em casa para localizar quem não foi imunizado.

Europa. Falhas nas ações de vacinação provocam surtos de sarampo também na Europa. Nesta terça-feira, a OMS informou que o número de casos da doença no continente subiu de 5.273 em 2016 para 21.315 em 2017 – o que representa alta de 304%.

De acordo com a OMS, a explosão de registros foi acompanhada por grandes surtos (quando 100 ou mais casos são notificados) em 15 dos 53 países europeus.

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