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Pais congelam dentes de leite dos filhos

Cresce busca por serviço de laboratórios que visa a preservar células-tronco para uso futuro

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2016 | 06h00

Congelar a polpa do dente de leite dos filhos para preservar células-tronco que poderão ser usadas no futuro está se tornando uma prática cada vez mais adotada pelos pais. Clínicas afirmam que neste ano a procura dobrou em relação a 2015, mesmo sabendo que uso não será feito em curto prazo.

No começo deste ano, o militar aposentado e professor universitário Antônio Rogério Tabalipa, de 61 anos, resolveu levar o filho Bruno, de 8 anos, para fazer o procedimento. “Adotei meu filho quando ele tinha 2 anos e 10 meses, e ele tem uma má-formação congênita no olho. Achamos que as pesquisas podem ajudar no futuro.”

O analista de sistemas Rinaldo Catroque Bersi, de 41 anos, decidiu fazer o congelamento do dente da filha Beatriz, de 13 anos, também pensando em tratamentos que podem ser desenvolvidos nos próximos anos.

“Vi que era muito promissor. Com o avanço da tecnologia, é importante ter um material dela guardado. Penso que, no futuro, pode ter um benefício acima do que é esperado.”

Procura. Diretor técnico do Grupo Criogênesis, Nelson Tatsui diz que os estudos em andamento demonstraram o potencial do material e, por isso, mais pessoas estão procurando o procedimento. “A reconstrução neurológica, cartilaginosa e óssea na odontologia são os campos mais avançados de pesquisa. Com a divulgação, a busca vem dobrando a cada ano.”

Para fazer o processo, que custa cerca de R$ 2,9 mil, mais uma anuidade que varia de R$ 450 a R$ 700, é feita uma extração programada do dente, que tem a polpa retirada e congelada a uma temperatura de -196 ºC.

José Ricardo Muniz Ferreira, cirurgião-dentista e presidente da empresa R-Crio, diz que os pais devem estar cientes de que o uso do material não será imediato, tendo em vista que as pesquisas ainda estão em andamento. “Certas doenças são prevalentes a partir da meia idade e a chance de usar será a partir dos 30, 40 anos. É uma célula que pertence ao indivíduo.”

Professora da pós-graduação em Odontopediatria da Universidade de São Paulo (USP), Karla Rezende diz que o material é realmente promissor, mas que as famílias devem pensar antes de fazer o procedimento. “Em laboratório, essas células-tronco podem se transformar em osso, cartilagem, músculo, gordura. Em 10 ou 15 anos, isso já pode ser aplicado na área clínica. Mas as pessoas podem pagar por um serviço que nunca vão precisar utilizar.”

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