País gasta R$ 37 mi por ano com vítimas do fumo passivo

Valor é gasto entre tratamentos de saúde e pensões pagas pela morte de vítimas, aponta pesquisa

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

30 de outubro de 2008 | 11h42

O governo gasta pelo menos R$ 37 milhões com os 2.655 fumantes passivos que morrem anualmente das três principais doenças relacionadas ao fumo: enfarte, derrame e câncer de pulmão. Desse valor, R$ 19,15 milhões são com tratamentos pagos pelo Sistema de Saúde; e R$ 18 milhões referem-se aos gastos da previdência social com o pagamento de pensões ou benefícios aos parentes das vítimas.     Esses valores foram calculados pela pesquisa "Impacto do Custo de Doenças relacionadas com o tabagismo passivo no Brasil", estudo econômico encomendado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo, divulgado ontem de manhã, foi patrocinado pelo projeto iniciativa Bloomberg Brasil.     O cálculo teve como base a estimativa "Mortalidade Atribuível ao Tabagismo Passivo no Brasil", publicada em agosto, que calculou que 2.655 não fumantes morrem todo o ano no País em conseqüência de doenças isquêmicas do coração, principalmente enfarte, acidente vascular cerebral e câncer de pulmão .   O tratamento anual dos fumantes passivos que morrem por enfarte corresponde a 64% dos gastos do SUS com doenças do tabagismo passivo, ou seja, R$ 12,2 milhões. Os fumantes passivos que morrem de derrame custam anualmente R$ 6,65 milhões ao sistema público de saúde.   O autor do estudo, o pneumologista Alberto José de Araújo, que coordena o Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo da UFRJ defendeu a aprovação do projeto de lei federal do senador Tião Viana (PT-AC), que proíbe o fumo em todos e qualquer tipo de ambiente fechado. "Sabemos que 70% dos fumantes apóiam essa medida. Não queremos impedir o direito individual de fumar, mas sabemos, por estudos internacionais, que quando essa medida é adotada, pelo menos 10% dos fumantes abandona imediatamente o vício", disse ele, acrescentando que a abstinência do fumo no ambiente de trabalho também ajuda a reduzir o tabagismo no ambiente doméstico.   No Rio, um decreto municipal de maio deste ano já proibiu o fumo em bares e restaurantes, onde o nível de fumaça é até seis vezes maior do que em outros ambientes fechados. Na véspera do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o governador José Serra assinou um projeto de lei que proíbe completamente o fumo em ambientes de uso coletivo, sejam públicos ou privados. A medida inclui veto em bares, restaurantes, boates, hotéis e áreas comuns de condomínios. A proposta, que prevê também a eliminação dos fumódromos em empresas, ainda está tramitando na Assembléia Legislativa .   A representante do Ministério da Saúde, Tânia Cavalcante, também é a favor da proibição total de fumo em ambiente fechado. Segundo ela, apesar da prevalência de fumo nos países em desenvolvimento ter crescido, no Brasil diminuiu de 34%, em 1989, para 17% em 2007.   Ampliada às 20h05

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