País já registra 1.680 casos de sarampo em 11 Estados

São Paulo concentra mais de 90% das infecções em três meses; Ministério da Saúde expandiu recomendação da vacina

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 21h24

BRASÍLIA – O sarampo se espalha pelo País. Da semana passada para cá, subiu de 4 para 11 o número de Estados que enfrentam o surto da doença. Em três meses, foram confirmadas 1.680 infecções, a maior parte delas, em São Paulo (1.662). 

Com o aumento dos casos, o Ministério da Saúde expandiu a recomendação da vacinação e indica que todas as crianças do País entre 6 meses e um ano sejam imunizadas. Batizada de dose zero, essa aplicação não dispensa as vacinas regulares, aplicadas aos 12 e 15 meses. Essa seria uma dose para dar uma proteção adicional.

Esta é a terceira mudança da recomendação de vacinas entre bebês nos últimos dias. Há duas semanas, o governo indicou que crianças entre 6 meses e 1 ano que viajassem para cidades de surto fossem imunizadas. Semana passada, a recomendação se estendeu para os bebês nessa faixa etária que residissem em cidades consideradas prioritárias. Agora, a decisão se estende para todo o País.

Secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Kleber de Oliveira não descarta que novas medidas sejam adotadas. Entre as estudadas, está a chamada vacinação de resgate, dirigida para adultos jovens. Nessa estratégia, a população considerada prioritária (no surto atual, adultos com até 29  anos) é chamada para atualizar a carteira. Aqueles que estão com a imunização incompleta ou que não sabem a situação vacinal, recebem as doses recomendadas. 

Essa medida é recomendada pela Sociedade Brasileira de Imunização. A vice-presidente da entidade, Isabella Ballalai, afirma que apenas com a vacinação de adultos suscetíveis o surto poderá ser contido. Hoje, além da vacinação de crianças, a estratégia usada é a de imunização de bloqueio, quando pessoas que tiveram contato com pacientes com sintoma da infecção são vacinadas. 

O problema, contudo, esbarra nos estoques escassos de vacina. Como o Estado mostrou, o governo dispõe de quantitativo limitado de doses, insuficiente para fazer uma campanha de massa, indiscriminada. O governo recorreu à Organização Pan-Americana de Saúde, encomendou a compra de 10 milhões de doses. A entrega do produto, porém, deve ocorrer num prazo de dois meses. 

O Ministério da Saúde também pediu a Biomanguinhos, que produz a vacina para o País, o aumento da entrega de doses.  Para que isso seja feito, o laboratório terá de reduzir a produção de vacina contra febre amarela. Este ano, serão preparadas 26 milhões de doses para sarampo. Desse total, mais de 12 milhões já foram entregues. 

Até o momento, não foi confirmada nenhuma morte por sarampo. Além de São Paulo, os casos da doença foram registrados no Rio (6), Pernambuco (4), Bahia (1), Paraná (1), Goiás (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Sergipe (1) e Piauí (1). Embora o sarampo tenha ressurgido no País no ano passado, a cobertura vacinal  está bem abaixo do que seria considerado ideal: 90.7%. 

Transmissão pode ocorrer antes dos sintomas

Doença infecciosa transmitida por tosse, espirro e saliva, o sarampo é altamente contagioso, pode levar à morte e provocar sequelas anos depois da infecção. A estimativa é de que uma pessoa infectada tenha capacidade de contaminar 40 pessoas próximas. 

A transmissão ocorre mesmo antes de a pessoa apresentar o sintoma, o que dificulta a identificação. “É muito difícil de se controlar rapidamente. Se o paciente busca o serviço de saúde, há o risco de ele contaminar o profissional que o atende, as pessoas na sala de espera”, afirma o pesquisador da Fiocruz, Cláudio Maierovitch. 

Tradicionalmente, o período de maior risco para o sarampo são os meses de frio. A transmissão geralmente perde força a partir de setembro. 

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