Luis Robayo/AFP
Luis Robayo/AFP

País registra 91.387 casos prováveis de zika

Governo, no entanto, estima que, para cada caso notificado, quatro não são registrados; doença se espalhou por todos os Estados

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

26 Abril 2016 | 18h13

BRASÍLIA - O Brasil registrou, até o dia 2 de abril, 91.387 casos prováveis de zika – 1 mil por dia, em média. A doença, que desde fevereiro passou a ser de notificação compulsória, já está espalhada por todos os Estados e o número de casos deve ser maior até do que o apontado nas estatísticas, reconhece o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. Ele observa que, para cada caso notificado, há uma média de outros quatro que não são registrados. 

“É uma doença que em boa parte dos pacientes não apresenta sintomas”, disse o diretor. “Além disso, há aqueles que têm os sintomas e não procuram assistência médica.”

Do total de casos, 7.584 ocorreram entre gestantes. “Esse é um dado importante, que nos deixa preocupados”, afirma Maierovitch. Ele observa que nem todas as mulheres que contraíram o vírus durante a gravidez terão bebês com microcefalia ou outros problemas no sistema nervoso central. “Sabemos que parte importante das pacientes não passará o vírus para o bebê. Mesmo assim, não é possível transmitir total tranquilidade. Também não é conveniente transmitir alarde.”

Microcefalia. Até 23 de abril, foram registrados 7.228 casos suspeitos de microcefalia no País. Desse total, foram confirmados 1.198 e outros 2.320, descartados. Há, no entanto, ainda 3.710 registros em fase de investigação. Maierovitch reconheceu haver uma série de obstáculos para impor um ritmo maior na avaliação de casos. 

Entre os problemas apresentados, disse, está a dificuldade de entrar em contato com mães de bebês classificados como casos suspeitos. “Muitas recebem a orientação de voltar aos serviços de saúde, mas não retornam”, afirmou.

 

Não há ainda um estudo que identifique o real risco de um bebê apresentar microcefalia em virtude da transmissão vertical do zika. Há indícios de que o risco maior ocorra quando a infecção se dá no primeiro trimestre da gestação. “Mas estudos precisam ser concluídos para verificarmos a real taxa de risco”, observa o diretor.

Maierovitch considerou preocupante a pulverização da epidemia de zika. “O alastramento geográfico é importante, algo que nos preocupa.” 

Embora o quadro atual traga dados que não permitam traçar um cenário muito tranquilizante, o diretor afirma estar otimista. Para ele, há indícios de que a epidemia de zika, nas próximas semanas, possa ingressar numa curva descendente. Algo que ele atribui em parte às medidas de controle do vetor. “É prudente aguardar mais um pouco para afirmar de forma mais enfática. Mas acredito em um declínio da curva, algo que começará a ser sentido a partir dos boletins do fim do mês de abril.”

Dengue. O diretor faz avaliação semelhante da dengue. Embora o número de casos tenha aumentado 62% entre 5 de março e 2 de abril, Maierovitch avalia que o ritmo do crescimento da doença caiu de forma expressiva nas duas últimas semanas. “Há uma grande chance de a curva cair de forma expressiva, de forma que não tenhamos neste ano um recorde histórico como o que aconteceu ano passado.” 

Entre as cidades com incidência preocupante da doença ainda estão as paulistas Ribeirão Preto (20.912 casos no ano), Presidente Prudente (8.569) e Campinas (4.483).

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