País tem estoque baixo de vacina antirrábica

Estados e municípios fazem remanejamento de estoques; consumo mensal é de 120 mil doses

AE, Agência Estado

11 Junho 2010 | 11h46

Os estoques de vacina contra raiva humana estão abaixo do nível de segurança em vários pontos do País. Alegando sucessivos problemas com o laboratório fornecedor - o Instituto Butantã -, o governo não fez a compra programada para 2010. Para não ficar sem o produto, Estados e municípios passaram a fazer remanejamento de estoques: quem tem maior quantidade cede parte das doses para locais onde o problema é mais grave.

O consumo médio mensal de vacina antirrábica no País é de 120 mil doses. Além de ser usado em mordidas, o produto é aplicado em profissionais mais expostos à contaminação pelo vírus que provoca a doença, como veterinários. Em postos de Brasília, o produto - que não é o mesmo dado aos animais - é usado só nos casos em que não há possibilidade de se observar o animal agressor. No Rio Grande do Sul, a aplicação também ficou mais rígida.

O Ministério da Saúde não informa quanto tempo a vacina vai durar no País nem em que locais o problema é mais grave. Mas, em entrevista por e-mail, a pasta admitiu que, na data da última entrega do produto, 28 de outubro de 2009, o estoque seria suficiente para aproximadamente seis meses - prazo que já terminou. Os Estados e municípios estão trabalhando com os estoques remanescentes.

O Ministério da Saúde e o fabricante da vacina apresentam versões conflitantes sobre as causas da interrupção do abastecimento. A pasta informa também que negociações para contrato neste ano tiveram de ser suspensas por causa de dívidas do Butantã com outros órgãos públicos. Já o presidente da Fundação Butantã, José da Silva Guedes, faz um relato diverso. Guedes conta que, no início deste ano, o Butantã encaminhou ao ministério uma carta com a descrição dos produtos disponíveis do instituto para este ano, mas não houve resposta.

Ele admite que, a partir de abril, houve atraso na prestação de contas, resolvido há poucos dias. "Mas, entre janeiro e abril, não havia nenhum impedimento para assinatura de contratos. Mesmo assim, não fomos procurados", completa. Guedes conta que somente em maio o Butantã recebeu um e-mail do Ministério da Saúde, solicitando, em caráter de urgência, 2,3 milhões de doses de vacina antirrábica. "Assim que o pedido foi feito, providenciamos a compra com o laboratório Sanofi." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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