País terá tratado nacional de clínica médica

Doenças tipicamente brasileiras como o mal de Chagas e a esquistossomose finalmente deixarão de ser estudadas em livros americanos. No fim do mês, será lançado o Tratado de Clínica Médica, o primeiro compêndio genuinamente nacional sobre a mais abrangente das áreas de atuação médica. A obra, dividida em três volumes que somam quase 5.500 páginas, levou três anos para ser concluída. Os 700 capítulos foram escritos por 1.060 dos mais renomados médicos, professores e pesquisadores brasileiros, como o cardiologista Antonio Carlos Chagas, a coloproctologista Angelita Gama e o geriatra Emílio Moriguchi. O responsável pela edição foi o médico Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Sentíamos a falta moral de uma obra nacional nessa linha", explica Lopes. "Uma diferença em relação aos livros americanos é que a nossa abordagem em relação às doenças tropicais, como a leishmaniose e a esquistossomose, é bem mais completa. Os autores estão capacitados para falar do tema não porque simplesmente leram sobre ele, mas porque vivem o problema no dia-a-dia. Ali está implícita a própria experiência. E a experiência é imbatível." Atualmente, a obra de referência em clínica médica no Brasil - e diversos outros países - é o americano Cecil Textbook of Medicine, que foi lançado em 1927 e, após várias atualizações está na 22ª edição. "Finalmente podemos ter um livro feito totalmente por autores brasileiros de alta qualidade", afirma Clementino Fraga Filho, um dos clínicos mais respeitados do Brasil. "Esse tratado poderá até concorrer com os americanos." O Tratado de Clínica Médica é publicado pela Editora Roca e custará R$ 599. O lançamento será no dia 21, em São Paulo.

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