Países se aproximam de acordo sobre vacina antigripal

Já há consenso sobre o assunto em todas as regiões, o que inclui a Indonésia, que há três anos parou de partilhar suas amostras de vírus da gripe

REUTERS

14 Abril 2011 | 20h21

GENEBRA - Está prestes a ser concluído um acordo global pelo qual os países compartilhariam amostras de vírus da gripe, em troca de terem acesso a vacinas mais baratas produzidas a partir desse material, o que pode ser crucial em caso de epidemia, segundo diplomatas envolvidos no processo.

Já há consenso sobre o assunto em todas as regiões, o que inclui a Indonésia, que há três anos parou de partilhar suas amostras de vírus da gripe com a Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo esses diplomatas. Eles acrescentaram, no entanto, que ainda falta o aval dos Estados Unidos.

A esperança é que tudo esteja resolvido até sexta-feira, 15, e que o acordos seja submetido a ministros da Saúde durante a reunião anual da OMS prevista para 16 a 24 de maio.

"Há um pacote. Todos estão a bordo, inclusive a Indonésia. A delegação dos EUA está checando com Washington durante a noite, mas o embaixador dos EUA recomendou acompanhar", disse um embaixador à Reuters na noite de quinta-feira. Um enviado de um importante país asiático afirmou que se trata de um acordo "modelo".

As negociações transcorrem a portas fechadas, e um porta-voz da delegação norte-americana em Genebra disse que não iria comentar o tema.

O processo envolvendo 193 países da OMS começou há quatro anos, depois de uma letal epidemia da gripe aviária H5N1 no Sudeste Asiático. Um ano depois, a Indonésia deixou de partilhar suas amostras com os laboratórios da OMS, em protesto por não ter acesso a vacinas.

Os embaixadores Juan José Gómez Camacho, do México, e Bente Angell-Hansen, da Noruega, que presidem as discussões, afirmaram na terça-feira que um acordo era iminente, mas que restavam discrepâncias a respeito de temas como propriedade intelectual e o papel do setor farmacêutico.

Na semana passada, os diplomatas se reuniram com 30 laboratórios, inclusive os gigantes GlaxoSmithkline, Sanofi-Aventis e Novartis, para solicitar seu apoio a um programa que assegure vacinas acessíveis a países pobres.

O setor farmacêutico já aceitou fornecer cerca de metade das vacinas necessárias nos países pobres, estimadas em 58 milhões de dólares por ano, além de financiar projetos para aumentar a capacidade dos seus laboratórios, disseram diplomatas na noite de quinta-feira.

Executivos do setor dizem que a capacidade produtiva anual de uma vacina contra uma pandemia de gripe é de 1,1 bilhão de doses, podendo chegar a 1,8 bilhão dentro de quatro a cinco anos.

Em 2009/10, quando o mundo sofreu a pandemia da gripe suína, a capacidade era de 500 milhões de doses.

A proposta do grupo de trabalho prevê a adoção de acordo antes da próxima pandemia, o que incluiria acordos de pré-compra de vacinas envolvendo laboratórios, e que o governo reserve um certo percentual da sua capacidade produtiva - 10%, por exemplo - para países sem acesso a vacinas.

 

Pneumonia e meningite. O Japão voltou a autorizar este mês a aplicação de uma vacina para pneumonia e meningite produzida pela Pfizer que fora proibida em março, informou o laboratório nesta quinta-feira.

 

O uso da vacina foi suspenso pelo governo japonês no início do mês passado após a morte de quatro crianças que tinham tomado vacinas da Pfizer e da Sanofi-Aventis. As crianças morreram pouco depois de tomar as vacinas e, embora não estivesse claro se havia uma ligação entre as mortes e as vacinas, o uso da Prevenar, da Pfizer, e da ActHIB, da Sanofi, foi suspenso enquanto as mortes eram investigadas.

 

Segundo nota da Pfizer, "o Ministério da Saúde, Trabalho e Previdência Social do Japão e o comitê que avaliam a segurança dos medicamentos no país investigaram os casos relatados e concluíram que não existe relação entre a imunização com a vacina e os óbitos".

 

A comercialização da vacina Prevenar em todo o mundo, incluindo o Brasil, não foi interrompida durante o período de suspensão no Japão.

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