Pandemia da gripe lança disputa por produção de vacina

Novartis, Sanofi-Aventis, GlaxoSmithKline e Solvay conseguiram recentemente a cepa do vírus

Jamil Chade e João Domingos, de O Estado de S. Paulo e Reuters,

12 Junho 2009 | 17h47

A declaração da primeira pandemia de gripe em 41 anos lança uma corrida entre governos e empresas pela produção e fornecimento de vacinas. O fenômeno ainda explicita as contradições do sistema de saúde público mundial e se transforma em um teste para a própria credibilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda não há acordo sobre como essas vacinas, recursos e remédios chegarão aos países mais pobres, que já tem seus serviços públicos em crise.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde 

 

Segundo a OMS, quase 30 mil pessoas já estão afetadas pelo vírus H1N1, com 145 mortes. Na quinta-feira, 11, a entidade elevou o nível de alerta para o máximo diante da constatação de que a disseminação era global. Sem poder mais conter o vírus H1N1, a OMS passou à estratégia de mitigar os efeitos. Para isso, a vacina será fundamental.

 

A GlaxoSmithKline afirmou que estaria pronta em "apenas algumas semanas" para iniciar uma produção em larga escala de vacinas. Já Sanofi-Aventis garantiu que estava trabalhando em uma versão própria.

 

Nesta sexta-feira, 12, o maior anúncio veio da Novartis, que revelou que havia conseguido chegar a uma primeira versão da vacina e que o produto poderia estar no mercado em setembro. 

 

O laboratório afirmou que pode começar os testes clínicos da vacina no próximo mês, depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter avisado os governos de todo o mundo para se prepararem para uma longa batalha contra o vírus da doença, que ficou conhecida como gripe suína.

 

Mas o método usado pela Novartis para chegar até a vacina é patenteado e governos de países emergentes temem que o produto final também tenha proteções. A tecnologia usada é baseada em células, e não no desenvolvimento da vacina em ovos, como ocorre tradicionalmente.

 

Novartis, Sanofi-Aventis, GlaxoSmithKline e Solvay conseguiram recentemente a cepa do vírus, e disseram ter a expectativa de concluir a vacina antes da gripe sazonal do hemisfério norte. "O Novartis concluiu com sucesso um primeiro lote de vacina para a influenza A (H1N1), semanas antes do esperado", disse o laboratório em comunicado.

 

Um porta-voz da empresa disse que não tinha informações se outra companhia tinha concluído o primeiro ciclo do processo de produção, e disse que o Novartis deve ter a vacina à disposição em setembro ou outubro. A empresa informou que espera produzir milhões de doses por semana.

 

Às 7h25 de Brasília, as ações do Novartis subiam 4,36 % , a 44,98 francos suíços, enquanto o setor farmacêutico europeu operava em alta de 2,93%.

 

 

Instituto Butantã

 

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, deixou claro em uma reunião com governos de que a entidade conta com uma produção de vacinas do Instituto Butantã para conseguir distribuir o produto a todos que precisarão, principalmente nos países em desenvolvimento. Uma vacina, porém, somente estará pronta em setembro e Chan fez um apelo ontem para que as empresas acelerem as pesquisas e processos para iniciar a produção.

 

No caso do Instituto Butantã, os especialistas garantem que tem como produzir as duas vacinas, mesmo que o Ministério da Saúde tenham se mostrado hesitante em autorizar a fabricação. Uma das ideias do Butantã é de produzir 100 mil vacinas para funcionários de portos, aeroportos e médicos. Mas o instituto não descarta produzir até um milhão de doses.

 

O Ministério da Saúde informou que não foi avisado quanto à fabricação da vacina e que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recebeu qualquer solicitação para o registro do produto. De acordo com o ministério, a decisão, por enquanto, é apenas acompanhar com interesse o que tem sido feito em relação à evolução do combate à gripe suína ao redor do mundo.

 

O comunicado do Laboratório Novartis, de que a partir de setembro iniciará a produção da vacina para a nova gripe, foi visto mais como um passo na disputa entre os vários fabricantes pelo marketing de ser o primeiro a produzir o antídoto para o H1N1. De acordo com informação de autoridades de saúde brasileira, desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou aos laboratórios espalhados pelo mundo que fabricassem a vacina, começou uma grande corrida para ver quem é que chega primeiro. Um desses laboratórios é o Instituto Butantã, do Brasil, que espera fabricar a vacina a partir de outubro.

 

A disputa justifica-se porque, apesar de a OMS ter declarado a gripe suína uma pandemia - o que não fazia desde 1968, quando outra gripe matou mais de 1 milhão de pessoas -, há a tendência de que o vírus vá se diluindo e a taxa de mortalidade, hoje de 0,5%, seja reduzida. Portando, de acordo com um especialista da área da saúde, quanto mais o laboratório demorar a produzir a vacina, menos possibilidade terá de vender o produto no mercado internacional.

 

Texto alterado às 19h20 com informações do Ministério da Saúde

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