Wilton Junior/AE
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Pandemia de H1N1 completa um ano arrastando críticas

OMS é alvo pelo fracasso de campanhas e por uma possível interferência de interesses comerciais

Efe

10 Junho 2010 | 17h12

GENEBRA - A gripe A (H1N1) completa nesta sexta-feira, 11, um ano desde que se tornou uma pandemia, com o receio sobre seus riscos já amenizado, mas arrastando uma polêmica devido ao fracasso das campanhas de vacinação e à possível interferência de interesses comerciais na crise da saúde.

 

Passado um ano, o comportamento do vírus AH1N1 pôde ser observado nos dois hemisférios, onde suas consequências foram inclusive mais leves que as da gripe comum.

 

Coincidindo com este primeiro aniversário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quinta-feira, 10, um documento no qual insiste em várias características que tornaram esse vírus temido.

 

O documento menciona que o H1N1 tem uma composição genética única que combina os vírus da gripe suína, aviária e humana, e que durante sua propagação mostrou padrões diferentes dos de epidemias de gripe estacional, como "altos níveis de infecção durante o verão" em países do hemisfério norte.

 

Também destaca que uma causa frequente de morte relacionada com a gripe A era a pneumonia viral, difícil de tratar, "enquanto em epidemias estacionais a maioria dos casos de pneumonia é causada por infecções bacterianas secundárias que respondem bem aos antibióticos".

 

Essas e outras razões levaram a OMS a decidir que é necessário manter por enquanto o alerta pandêmico, uma situação que será avaliada novamente no próximo mês.

 

As críticas, no entanto, não deixam de recair contra o organismo sanitário há alguns meses. A primeira que despertou a opinião pública e a imprensa foi a do epidemiologista e presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, que acusou diretamente a OMS de ter deixado a indústria farmacêutica influenciar em suas decisões sobre a pandemia.

 

A isso se somou nesta mesma semana a publicação de uma pesquisa realizada por uma renomada revista médica, que menciona que aparentes interesses comerciais podem ter se interposto em decisões relacionadas à pandemia e que a OMS gerou temores desnecessários.

 

Apesar disso, as campanhas de imunização contra a gripe A fracassaram em maior ou menor medida em praticamente todos os países onde foram realizadas.

 

Em vários países europeus, sobraram milhões de doses. Alguns, como a França, conseguiram renegociar seus contratos com as farmacêuticas fornecedoras, mas com o risco de assumir grandes perdas.

 

A extensão das perdas chegou ao ponto de Hong Kong anunciar que terá que se desfazer de 2,8 milhões de vacinas - de um total de 3 milhões compradas - que expiram em outubro.

 

A verdade é que se estima que o pânico inicial e a vontade dos governos de adquirir o mais rápido possível estoques de vacinas e remédios para proteger sua população resultou em lucros adicionais de cerca de 6 bilhões de euros para a indústria farmacêutica.

 

Entretanto, o documento divulgado nesta quinta pela OMS enfatiza que "os conflitos de interesse são inerentes a qualquer relação entre um órgão regulador e o de fomento à saúde, como a OMS, e uma indústria orientada à obtenção de lucros".

 

O texto lembra que tanto uma como outra buscam a opinião de cientistas e que, portanto, "muitos especialistas que oferecem seu pareceres à OMS têm vínculos com a indústria, que vão desde financiamento para pesquisas até consultorias pagas e participação em conferências".

 

No entanto, a OMS diz que conta com um sistema para se proteger de conselhos influenciados por interesses comerciais, baseado na obrigação de todos os especialistas de declarar seus interesses profissionais ou financeiros quando participam de uma equipe de consultoria.

 

Apesar das explicações, as dúvidas e as críticas persistem, enquanto a temporada de gripe está prestes a começar no hemisfério sul e a declaração de pandemia é aguardada para que a OMS divulgue dados e informações que ainda mantém em reserva.

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