Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Sem casos de coronavírus, Unicamp é a 1ª do País a suspender aulas; veja outras que seguiram medida

Restrição acontece entre 13 e 29 de março; está em definição quais atividades essenciais serão mantidas. Na quarta-feira, após confirmação de aluno com a doença, a USP anunciou a criação de um comitê para monitorar a situação

Isabela Palhares e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 11h38

SÃO PAULO -  Mesmo sem nenhum registro de caso do novo coronavírus, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou a suspensão das aulas. É a primeira universidade do País a tomar a decisão. O Ministério da Educação (MEC) e outras instituições anunciaram que estudam a paralisação das atividades depois de Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar pandemia. 

As atividades na Unicamp estão suspensas a partir desta sexta-feira, 13, até ao menos 29 de março nos dois campi da instituição, em Campinas e Limeira. 

Segundo o reitor da universidade, Marcelo Knobel, a decisão foi tomada após avaliação de um grupo técnico da instituição de que as próximas duas semanas serão a de maior intensidade de propagação do vírus. "Ainda não temos nenhum caso em Campinas ou na Unicamp, mas dentro desse quadro precisamos ser prudentes para diminuir a circulação do coronavírus. Aulas, grupos de pesquisa e outras atividades presenciais podem contribuir para que a doença se espalhe", disse. 

A Unicamp afirma ainda estudar quais atividades essenciais serão mantidas. "Cada órgão da Administração Central deverá definir e submeter seu plano de contingência ao comitê de crise ainda nesta quinta-feira. A área da saúde divulgará comunicado específico sobre quais atividades serão suspensas e quais serão mantidas no período". O Hospital das Clínicas da Unicamp é um dos centros de referência do Estado de São Paulo para atendimento de casos do coronavírus. 

Segundo Knobel, a universidade tem grande circulação de pessoas dos mais diversos perfis, por isso, a avaliação é de que a suspensão das atividades é a melhor opção. "Nós temos diversos tipos de serviços na Unicamp, desde creche até o programa de universidade para a terceira idade. Ou seja, circulam pela instituição crianças de poucos meses até pessoas com mais de 70 anos. Precisamos ter responsabilidade e cautela com toda a população", disse o reitor. 

Viagens de docentes e funcionários também foram suspensas, assim como o recebimento de visitantes.

USP

Após confirmação de aluno com o novo coronavírus, a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) anunciou na quarta-feira, 11, a criação do Comitê Permanente USP Covid-19. O objetivo é "acompanhar permanentemente a evolução da presença do vírus entre alunos, professores e servidores técnicos e administrativos da Universidade, em todos os campi da USP", assim como realizar atualizações periódicas das recomendações da autoridade sanitária.

Presidido pelo superintendente de Saúde da USP e do Hospital Universitário (HU), Paulo Ramos Margarido, o comitê é formado por profissionais de saúde do HU, por representantes da Unidade de Vigilância em Saúde do Butantã e da Coordenadoria de Vigilância em Saúde.

A USP disse que manterá as atividades em todas as unidades de ensino e pesquisa.

Até o momento houve apenas a confirmação de um caso do novo coronavírus de um aluno, no campus de São Paulo, que foi contaminado pela parceira que viajou à Itália e não faz parte da comunidade universitária. As aulas no Departamento de Geografia, onde o aluno infectado estuda, foram suspensas, após a confirmação.  Segundo a instituição, a decisão foi unilateral, em razão do diagnóstico.

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Segundo a USP, a Unidade de Vigilância em Saúde do Butantã monitora as pessoas que tiveram contato mais próximo com o estudante. Nenhuma apresentou sintoma da doença até o momento.

Em relação aos outros campi, "cabe à Vigilância Epidemiológica Municipal a responsabilidade de comunicar aos investigados os resultados positivos e negativos para o Covid-19, fazer as orientações necessárias para os casos suspeitos e confirmados e a busca ativa dos casos contactantes", disse, em nota, a USP.

Unesp

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu nesta quinta-feira, 12, suspender temporariamente todas as atividades do programa Universidade Aberta à Terceira Idade - o grupo dessa faixa etária é considerado o mais vulnerável para o coronavírus. As atividades de ensino, pesquisa e administrativas estão mantidas, mas a instituição recomendou que sejam cancelados todos os eventos que estavam previstos para acontecer no câmpus de São Paulo e que as reuniões presenciais sejam evitadas. 

Também determinou que todos os estudantes, pesquisadores, professores e funcionários que tenham retornado do exterior devem fazer quarentena de 14 dias antes de retornar à universidade. Para os servidores, o período de isolamento será considerado de "efetivo exercício". 

Veja a lista de universidades e escolas que já suspenderam as atividades:

- Unicamp (de 13 a 29 de março)

- Rede de ensino do Distrito Federal (por cinco dias)

- Facamp (de 13 a 29 de março)

- FAAP (de 13 a 17 de março)

- FIAP (de 12 a 23 de março)

- Insper (12 e 13 de março)

- Ibmec, em São Paulo e Distrito Federal (até 17 de março)

- ESPM (até 20 de março)

- Casper Líbero (até 20 de março)

- Fiap (até 23 de março)

- Colégio Vera Cruz (até 13 de março)

- Colégio Avenues (de 7 a 15 de março)

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