Pandemia evidencia potencial do SUS
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Pandemia evidencia potencial do SUS

Infraestrutura e financiamento são gargalos crônicos do sistema

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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11 de setembro de 2020 | 00h00

Os seis meses de pandemia do coronavírus geraram uma mudança contundente no sistema de saúde nacional. A sociedade como um todo, que abriu as janelas para homenagear os profissionais de saúde, também se deparou com a importância fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS).

A história da aposentada Armezinda Ferreira da Silva, 79, é apenas uma que reforça o peso que o SUS pode vir a ter na vida das pessoas. Moradora de São Paulo, ela pagou convênio médico por mais de 20 anos, mas no início da pandemia resolveu se refugiar na sua cidade natal no sertão da Bahia e acabou deixando de pagar o plano de saúde por alguns meses. Com o afrouxamento do isolamento social, a aposentada voltou para a capital paulista e em casa teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Foi socorrida no hospital mais próximo, uma unidade do SUS. A sobrinha Karina Ferreira da Silva, 32, acompanhou a tia durante todos os 10 dias em que ela ficou internada. “Ficamos todos surpresos com o atendimento. Foi tão bom que hoje ela pensa em cancelar o convênio definitivamente”, diz Karina.

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Para a sobrinha, a principal dificuldade encontrada nos SUS é de estrutura. “Os profissionais são atenciosos, tratam muito bem os pacientes, os exames são feitos no próprio local, sem necessidade de deslocamento, tem equipes altamente preparadas para os casos mais complexos, mas infelizmente falta infraestrutura para atender todos que precisam”, diz Karina. Para ela, não há dúvida de que a pandemia deixou ainda mais evidente a importância de se manter um sistema de saúde público eficiente.

Gulnar Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e docente do IMS/Uerj Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, considera que seria muito bom que a consequência direta do reconhecimento da população sobre a importância do SUS fosse mais investimento no sistema. “Mas não sei se podemos manter esta expectativa.” Para ela, a sociedade agora se deu conta de que o sistema universal de saúde brasileiro está vivo e tem sido fundamental na pandemia. Sem ele, a situação de assistência aos doentes estaria muito pior. “Mais do que nunca precisamos estimular que todos os brasileiros defendam o SUS e pressionem o governo para que ele seja fortalecido.”

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Ficamos todos surpresos com o atendimento. Foi tão bom que hoje ela pensa em cancelar o convênio definitivamente
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Karina Ferreira da Silva

Sem plano

Ela explica que, em média, 25% da população brasileira era coberta por planos privados de saúde. Levantamentos prévios, com base em dados disponibilizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), estimam que, de março a julho de 2020, houve expressiva queda no número de pessoas cobertas pela saúde suplementar, totalizando 327 mil usuários que saíram dos planos de saúde nesse período.

“A recessão econômica e o aumento de desemprego com certeza farão com que muitas pessoas não consigam manter seus planos privados de saúde e vão precisar do SUS. Isso não é em si um problema porque o sistema é concebido para ser universal e garantir acesso a todos. A questão é que, com o subfinanciamento histórico para o setor de saúde, agravado pela Emenda Constitucional 95/2016 que congelou os gastos para saúde em 20 anos, a expansão das ações e a possibilidade de garantia do cuidado integral ficarão muito aquém do que todos os brasileiros e brasileiras necessitam.”

Gulnar destaca que o SUS garantiu uma ampliação inegável do acesso aos serviços de saúde e os indicadores epidemiológicos mais sensíveis mostram claramente isso. “Reconhecemos, contudo, que o SUS não atingiu seu pleno funcionamento em todos os locais do País e o maior obstáculo para seu melhor desempenho é o financiamento. Sempre foi insuficiente para implementar as políticas e os programas necessários”, diz. Para ela, o SUS pode ser aprimorado se for consolidado o seu caráter público; ampliado a sua capacidade de integração; fortalecida a política de pessoal; e implementada uma gestão participativa. “Sem dúvida, para que tudo isso ocorra é preciso urgentemente aumentar o repasse de recursos para o SUS.”


 

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