REUTERS/Denis Balibouse
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Para assegurar plano de vacinas contra covid-19, OMS facilita termos para países ricos

As mudanças visam a atrair nações que já fecharam compras próprias, em acordos diretos com empresas farmacêuticas

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 14h18

Países mais ricos que participem do plano de vacina contra covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão recebendo a opção de escolher quais vacinas vão querer, enquanto fica reservado o direito de ter acesso a sua cota total das doses, mostram documentos acessados pela agência de notícias Reuters.

A mudança parece ter sido feita visando a convencer os governos que já têm acordos bilaterais de compras de candidatas a vacina com farmacêuticas a também aderirem à iniciativa de imunização da OMS, chamada de Covax. O prazo final para que nações demonstrem interesse a participar é 31 de agosto - próxima segunda-feira.

Estados Unidos, Japão, Reino Unido e União Europeia, que fecharam suas próprias compras para assegurar milhões de doses de imunizantes contra o novo coronavírus, não seguiram os alertas da organização sobre “nacionalismo de vacinas”. Para a entidade, as compras individuais suprimem a distribuição pelo mundo, o que levaria à maior duração da pandemia globalmente.

A OMS não respondeu ao pedido para comentar a informação. A Reuters não conseguiu determinar se a oferta contida nos documentos é a final - os termos são de 5 de agosto. O documento é o mais recente sinal de preocupação da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) frente ao esforço de unir países no consórcio global de vacinas.

Ainda não se sabe se os novos termos serão suficientes para fazer com que a União Europeia participe da iniciativa. O bloco estabeleceu que seus Estados-membros poderiam ajudar a financiar o programa, mas não poderiam optar pela compra de vacinas através de dois esquemas.

O plano da OMS, enviado a seus 194 membros nos últimos dias, promete “negociar o melhor preço possível com as empresas farmacêuticas” e estabelecer um mercado para negociar e vender doses.

O prazo final para confirmação do compromisso com a Covax é 18 de setembro, com pagamento adiantado até 9 de outubro.

Compra opcional

A Covax, lançada no final de abril, foi projetada para servir como um consórcio de compra de candidatas a vacina, em que países de alta e média renda financiariam as próprias imunizações e garantiriam que nações de baixa renda tivessem acesso à imunização. 

A OMS aponta que a iniciativa reduz riscos ao oferecer uma cesta de vacinas. Por enquanto, o portfólio conta com nove imunizantes experimentais.

O objetivo da entidade é entregar pelo menos 2 bilhões de doses de vacinas aprovadas até o final de 2021 e garantir a distribuição de forma equitativa.

Por meio do arranjo padrão, chamado “Compra Comprometida”, as nações de média e alta renda devem fazer um pagamento inicial de cerca de US$1,60 (R$8,70) por dose, mais uma garantia de US$8,95 (R$48,40) por unidade. Além disso, devem apresentar garantias firmes para executar as compras.

Se o preço final exceder o dobro de US$10,55 (R$57) por dose, - US$21,10 (R$114,20)- os países podem desistir.

Através do acordo “Compra Opcional”, o pagamento adiantado é maior: US$3,10 (R$16,80) por dose. Isso cobre a parcela proporcional dos investimentos investidos pelo consórcio para entrar em acordos com os fabricantes e acelerar a produção, aponta o documento. O custo total estimado por dose ainda deve ser R$57.

“Esta opção pode ser mais atraente para países que já têm acordos bilaterais e podem não estar interessados ​​em adquirir mais dessas vacinas”, afirmam os termos da OMS.

Segundo a organização, o esquema opcional custaria cerca de US$262,8 milhões (R$1,42  bilhão) para um país com 60 milhões de habitantes que queira cobrir 20% disso da população, em um regime de duas doses. O padrão custaria US$253,2 milhões (R$1,37 bilhão).

Até agora, cerca de 172 países registraram interesse em participar do consórcio, incluindo 92 países de renda baixa que podem ter grande parte dos custos cobertos. Cerca de 80 países autofinanciados apresentaram manifestações de interesse, incluindo o Brasil entre estes.

“Nenhum participante de autofinanciamento receberá doses de vacina para cobrir mais de 20% de sua população até que todos os participantes dessa modalidade também tenham recebido doses para também atingir 20% de cobertura ou a quantidade escolhida (se inferior a 20%) ”, disse a OMS. /Com Reuters

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