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Brasil tem ao menos um caso confirmado de coronavírus Pavel Golovkin/AP Photo

Para aumentar proteção, Brasil cobra que OMS classifique novo coronavírus como 'pandemia'

Medida seria um reconhecimento de que a doença não está restrita a uma região e permitiria ampliar lista de alerta de países para a doença

Mateus Vargas e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 15h55

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), cobrou nesta quarta-feira, 26, que o avanço do novo coronavírus (Covid-2019) seja considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  Esta medida seria um reconhecimento de que a doença infecta, simultaneamente, pessoas ao redor do mundo, ou seja, não está restrita a uma região, e permitiria ampliar a lista de alerta de países para a doença.

Hoje, a OMS considera a doença uma emergência global, colocando em alerta apenas países em que há transmissão interna "consistente" da doença, com mais de 5 infecções dentro do mesmo território. Ou seja, que não foram "importadas" de outras nações. 

Na segunda-feira, o Ministério da Saúde adicionou mais oito países na lista de alerta do novo coronavírus, incluindo os primeiros três da Europa: Itália, Alemanha, França. Além desses, entram no rol do governo federal Austrália, Filipinas, Malásia, Irã e Emirados Árabes.

Isso significa que serão considerados suspeitos da doença passageiros que estiveram nesses locais e que apresentem sintomas da doença, como febre e tosse. O novo enquadramento, antecipado pelo Estado, é resultado da confirmação da transmissão do vírus dentro desses países.

Antes da nova definição, pessoas com sintomas de gripe vindas da Itália, por exemplo, não recebiam atenção especial da vigilância sanitária brasileira, pois a suspeita do novo coronavírus era descartada na hora. Agora, haverá um protocolo específico pelo qual, caso o passageiro tenha febre associada a algum outro sintoma, será enquadrado automaticamente como caso suspeito.

O critério para o Brasil aumentar a lista foi o definido pela OMS, de países onde houve mais de 5 casos confirmados de transmissão interna. Mas  o governo brasileiro defende a inclusão na lista de todas as nações onde tenham pessoas infectadas, mesmo que a transmissão interna não tenha começado. 

Isso evitaria que autoridades sanitárias descartem como suspeito o caso de uma pessoa que apresente sintomas do coronavírus, mas que  não esteve em países em alerta. O protocolo considera a possibilidade da doença apenas para quem esteve em locais deste rol.

Os Estados Unidos, por exemplo, onde há 53 casos confirmados até esta quarta-feira, 26, não estão na lista de alerta, pois não há transmissão interna. Pela proposta de Mandetta - que ainda precisaria de mudança de posição da OMS -, o sistema de vigilância em saúde do Brasil iria considerar a possibilidade de novo coronavírus em paciente que esteve nos EUA e apresenta febre e outro sintoma gripal.    

"Muito em breve a OMS terá de considerar o novo coronavírus como pandemia. Aliás, já tem critérios para (considerar). Já deveriam ter inclusive dado nota sobre", disse Mandetta em coletiva de imprensa para anunciar a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil.

O ministro da Saúde reconhece que o Brasil pode ter ignorado diagnósticos desta doença apenas porque o paciente não esteve em países da lista. "Você não tem como saber se uma pessoa, mesmo assintomática, não é portadora", disse.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta quarta-feira, porém, que não se deve ter pressa de classificar o surto do novo coronavírus como uma pandemia, embora o número de casos da doença fora da China tenha aumentado significativamente nos últimos dias. "Não devemos ficar muito ansiosos em declarar uma pandemia sem uma análise cuidadosa e lúcida dos fatos", afirmou Tedros.

Segundo Tedros, a China relatou até agora 78.190 casos do coronavírus para a OMS, incluindo 2.718 mortes. Fora da China, há 2.790 casos em 37 países e 44 óbitos, acrescentou.

A lista de alerta de novo coronavírus tem sido ampliada pelo Brasil desde a semana passada, seguindo recomendações da OMS. Além dos países incluídos na segunda-feira, o Brasil a lista inclui outros 8 países: China, Japão, Cingapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja.

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Brasileiro com coronavírus se reuniu com 30 familiares antes de procurar hospital

Todos os familiares estão sob monitoramento da vigilância sanitária. Empresário de 61 anos viajou para a Europa sozinho e a negócios. Ele desembarcou em Cumbica na sexta-feira, 21

Mateus Vargas, Daniel Weterman e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 17h03

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O brasileiro de 61 anos infectado pelo novo coronavírus, primeiro caso confirmado da doença no Brasil, reuniu-se em uma confraternização com cerca de 30 parentes no domingo de carnaval, dia 23, um dia antes de procurar um hospital apresentando sintomas da doença. Todos os familiares estão sob monitoramento da vigilância sanitária. Segundo o Ministério da Saúde, apesar destes contatos, cada infectado, em média, transmite a doença para outras duas ou três pessoas. 

"Não vamos imaginar que teremos 80 novos portadores do vírus porque alguém teve contato com 80 pessoas", disse nesta quarta-feira, 25, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo. "Significa que o contato precisa ser um mais próximo para que haja infecção", reforçou o secretário. De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), serão contatados também 16 passageiros que estavam nas duas fileiras da frente ou ao lado do brasileiro infectado. 

O governo informou que o paciente brasileiro de novo coronavírus não usou transporte público enquanto esteve no Brasil, o que poderia ampliar as possibilidades de infecção. Apesar de ser considerado um caso que exige "alta vigilância", a esposa deste homem não apresenta sintomas da doença, disse Mandetta. "É um caso que a gente monitora (o da esposa). Só passa a ser suspeita se tem quadro febril", afirmou o ministro.

O paciente brasileiro está em isolamento domiciliar junto com a família. Ele deve voltar para a "vida normal" assim que deixar de apresentar os sintomas, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

Os cerca de 30 familiares que tiveram contato com o empresário de 61 anos diagnosticado com o coronavirus ainda não apresentaram nenhum sintoma da doença, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. "É uma situação muito dinâmica e esse quadro pode mudar. Mas o que podemos afirmar é que, até esse momento, nenhum deles apresentou sintomas" , disse Alberto Kanamura, secretário-executivo da pasta. 

O empresário está em isolamento na própria casa, que fica na zona sul da capital (o bairro não foi informado), acompanhado apenas da esposa. Eles estão em ambientes separados. Segundo Kanamura, a mulher do paciente não apresentou sintomas até o momento.  "O quadro dele está evoluindo muito bem", disse Kanamura. O empresário terá que ficar em isolamento enquanto apresentar os sintomas da doença, o que pode variar.

Além dos familiares do paciente, outras oito pessoas são monitoradas por terem tido contato com ele durante o vôo de Paris a São Paulo. Quatro delas são da cidade de São Paulo, uma de Campinas, uma de Jundiaí e quatro de Porto Alegre. Elas estavam nas poltronas mais próximas ao empresário. 

Paris, Turim, Verona e São Paulo: o caminho do 1º brasileiro com coronavírus

Empresário, de 61 anos, o primeiro brasileiro a contrair o novo coronavírus viajou para a Europa sozinho e a negócios, em voos de ida e volta pela Air France. Ele saiu de São Paulo em 9 de fevereiro, com conexão em Paris, com destino a Turim, no norte da Itália. Da cidade italiana, também viajou para Verona, antes de repetir o trajeto de volta. Em Turim, chegou a ter a temperatura escaneada no aeroporto. 

Assintomático e sem utilizar máscara durante toda a viagem, embarcou no Aeroporto Charles Charles de Gaulle, em Paris, no dia 20 de fevereiro, e desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na sexta-feira, 21 de fevereiro. 

Na data em que retornou ao Brasil, chegou a passar no escritório de trabalho e foi para casa, na região sul da capital paulista. Ele ficou em casa no sábado. No domingo, almoçou com cerca de 30 pessoas, majoritariamente familiares, na casa de um dos filhos. Entre os parentes, dois adultos e uma criança são moradores de Vinhedo e estão em monitoramento e permanecem em isolamento domiciliar, segundo a prefeitura da cidade. Após o almoço, apenas uma neta do paciente apresentou algum possível sintoma de virose, uma tosse, a qual também está em acompanhamento. 

Na noite de domingo, 23, o idoso teve febre, tosse, dor de garganta e hiperemia (aumento do volume sangüíneo localizado num órgão ou parte dele, com conseqüente dilatação vascular, por alteração no sistema pressão arterial). Ele procurou atendimento médico na unidade do Hospital Albert Einstein do Morumbi, na zona sul, na segunda-feira, 24, em que foi fez exames e foi recomendado a permanecer em quarentena domiciliar de 14 dias.

Atualmente, o paciente não apresenta mais sintomas da virose e está bem, mas continua utilizando máscara. Ele passa a maior parte do tempo no quarto e para não tem contato com a esposa (que está assintomática). Ele não chegou a ter contato com o filho de 16 anos, que retornou do litoral nesta semana.

A orientação é que empresário não compartilhe talheres com os demais moradores, além de ter as roupas lavadas e o lixo descartado separadamente. 

As demais pessoas que tiveram contato com o empresário não precisam permanecer em quarentena e podem sair de casa. Relatos da equipe de saúde que mantém contato com o paciente apontam que toda a família é bastante colaborativa e costuma tirar diversas dúvidas sobre procedimentos do dia a dia por meio de mensagens de celular. /COLABOROU ​PRISCILA MENGUE

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Ministério da Saúde quer antecipar vacinação contra gripe

Vacina da gripe não previne contra coronavírus, mas autoridades avaliam que imunização facilita diagnóstico de pacientes com sintomas semelhantes

Daniel Weterman e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 14h14

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou a intenção de antecipar a campanha de vacinação contra a gripe no Brasil após o primeiro caso confirmado de coronavírus no País. A vacina contra gripe não previne contra o coronavírus. As autoridades, porém, avaliam que a imunização facilita o diagnóstico para separar os casos quando há sintomas como febre e tosse.

A vacinação está prevista para começar entre a última quinzena de março e o início de abril.  "Se tivermos como antecipar, podemos começar pelo Rio Grande do Sul. O inverno chega um mês antes no Sul do Brasil", afirmou o ministro.   

O Instituto Butantan, que produz as doses, poderá concluir a fabricação da vacina e possibilitar uma antecipação. "Vamos poder antecipar. O que eu não posso dizer é em quanto tempo será essa antecipação", disse o secretário estadual de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira. O instituto é ligado ao governo paulista. 

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São Paulo terá centro de contingência do coronavírus

Objetivo é monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus após primeiro caso brasileiro da doença ter sido confirmado na capital

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 15h18

SÃO PAULO - Após a confirmação do primeiro caso de uma pessoa infectada com o coronavírus no Brasil – um homem de 61 anos que vive em São Paulo e tinha viajado para a Itália – o governo do Estado decidiu criar um centro de contingência. O objetivo é monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus.

O centro, que será presidido pelo infectologista David Uip, será composto por profissionais do Instituto Butantan, médicos especialistas das redes pública e privada, e terá a supervisão do secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann. 

A equipe definiu na manhã desta quarta-feira, 26, os quatro hospitais que servirão de referência para o atendimento de casos graves, o Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP), o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o HC de Ribeirão Preto, HC de Campinas, Hospital da Base de São José do Rio Preto e Emílio Ribas 2 no Guarujá. As seis unidades contam juntas com 4 mil leitos, sendo mil de UTI. 

"São mil leitos para as pessoas que forem diagnosticadas e tiverem quadro grave. Precisamos lembrar que o isolamento é técnico, nós temos tecnologia para isso e não é como o isolamento de antigamente. Nós isolamos o paciente, não a ala ou hospital inteiro", disse Uip. 

O infectologista, no entanto, destacou que a população não deve ficar alarmada com a circulação do vírus no País. Segundo ele, o Brasil tem experiência no controle de endemias e epidemias. "Nós barramos o H1N1 e outras infecções virais. Essa não é uma situação inédita para o País".   

O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi diagnosticado na terça-feira, 25, em um paciente do Hospital Israelita Albert Einstein. O hospital fez o primeiro exame, que depois foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz, laboratório de referência nacional para análise de amostras casos suspeitos. O paciente esta estável, isolado em sua casa. Há outros 11 casos suspeitos na cidade. 

Conforme detalhado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. Ele chegou a São Paulo na sexta-feira, sem nenhum sintoma, em um voo que saiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, depois de ter ficado na região da Lombardia, na Itália, onde os casos se concentram naquele país, entre os dias 9 e 20 de fevereiro. 

Ele teve uma reunião de família com cerca de 30 pessoas no almoço e domingo e começou a sentir os sintomas logo depois. Foi para o hospital na segunda à noite e diagnosticado na terça. Pessoas que estavam próximas dele no avião e com quem ele se encontrou então sendo contactadas pelos agentes de saúde.

O hospital resolveu testá-lo para o coronavírus depois que o Ministério da Saúde tinha ampliado o rol de países dos quais viajantes deveriam ficar atentos para sintomas

Além da Itália, Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Cingapura, Tailândia, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos estão na lista de locais de origem ou transição definida pelo Ministério da Saúde no início da semana.  A mudança levou em conta o aumento de casos registrados fora do território chinês.

As autoridades de saúde pedem que pessoas que apresentarem os sintomas e tiverem um histórico de viagem para uma área com circulação do vírus ou mesmo que tenham tido contato com algum caso suspeito ou confirmado laboratorialmente que procurem um serviço de saúde mais próximo. "Quem apresentar sintomas, deve procurar uma unidade de saúde. Também deve usar máscaras se houver qualquer suspeita", disse Uip. 

 

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É hora de usar máscara? Veja como se proteger do coronavírus

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Uso da máscara se tornou obrigatório no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 7

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 13h54
Atualizado 07 de maio de 2020 | 08h23

SÃO PAULO - Lavar as mãos e cobrir nariz e boca ao tossir e espirrar são medidas que ajudam a evitar a propagação do novo coronavírus, o Covid-19. Infectologistas ouvidos pelo Estado recomendaram ainda que a população não entre em pânico e que, em caso de doenças respiratórias, só busque atendimento médico se sintomas como febre, tosse e coriza persistirem. Nesta quinta-feira, 7, o uso de máscaras passou a ser obrigatório em todo o Estado de São Paulo

"Neste momento, é importante reforçar a necessidade de higienização das mãos, porque o vírus é transmitido pelo contato. O indivíduo que está tossindo ou espirrando vai contaminar superfícies ao usar o teclado, mouse, torneira. Todas as superfícies ficam contaminadas. O álcool ou a lavagem das mãos eliminam o vírus. As pessoas devem higienizar as mãos não só para se proteger do coronavírus, mas de outras infecções virais", explica Francisco Ivanildo Oliveira Júnior, gerente do Controle de Infecção Hospitalar do Sabará Hospital Infantil, que também é supervisor do ambulatório do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Oliveira Júnior diz que a avaliação dos casos confirmados e artigos científicos apontaram que, para a maioria dos pacientes, a doença não vai evoluir para quadros graves.

"Cerca de 80% dos casos têm formas leves. São pessoas que podem ser tratadas sem necessidade de internação. Esse caso consegue mostrar para a população dessa faceta da doença. A grande maioria das pessoas se recupera e tem quadros leves, que podem ser tratados em casa com o afastamento social para reduzir a possibilidade de contato com pessoas do trabalho e em situações sociais."

O restante corresponde a ocorrências graves, das quais 6% se referem aos casos muito graves - quando o paciente precisa ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ele diz que, embora esse seja um aspecto positivo, tendo em vista que esses pacientes não evoluem para formas graves, essa característica facilita a propagação da doença.

"O lado ruim é que as pessoas que são pouco sintomáticas, normalmente, não ficam em casa, elas circulam e são as pessoas que têm o maior risco de transmitir a doença e causar surtos familiares, que têm sido muito descritos na China, ou vão para o trabalho, fazem compras. Além disso, tem uma porcentagem que ainda não sabemos quanto é, de pacientes que não manifestam nenhum sintoma, mas podem transmitir a doença."

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

Busca por atendimento médico

Coordenador do centro de infectologia do Hospital Sírio-Libanês e reitor da Faculdade de Medicina do ABC, o infectologista David Uip diz que as pessoas que apresentam sintomas leves de doenças respiratórias devem evitar sobrecarregar os hospitais.

"Se todo mundo que tossir ou espirrar for ao hospital, a gente vai ter um problema que não é possível de dar conta nem no Brasil nem no mundo. Quem estiver com sintomas leves, deve ficar em casa. Ao tossir ou espirrar, deve cobrir a boca e o nariz, de preferência, com lenço descartável."

Uip também explicou quando, com base nos sintomas, as pessoas devem buscar auxílio médico. "Se tiver uma febre que perdura, que não some em 24 ou 48 horas ou desaparece e reaparece, e desconforto respiratório."

O uso das máscaras passou a ser obrigatório no Estado de São Paulo nesta quinta-feira, 7, e a medida também já foi adotada em outros municípios brasileiros. A máscara, mesmo a caseira, segundo especialistas, é mais um item que ajuda na proteção contra a doença.

A infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que é importante que as instituições tenham um diálogo franco com a população e reforça que os hospitais devem receber os casos graves.

"É preciso ter seriedade na comunicação com a população. Tem de explicar o que é a doença, quais são os sinais de alerta, quando se deve ficar em casa." Leia a entrevista completa aqui.

Como evitar o coronavírus

De acordo com o Ministério da Saúde, medidas podem ser incorporadas no dia a dia para reduzir o risco de contaminação e transmissão do vírus.

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por, pelo menos, 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Ficar em casa quando estiver doente
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência

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Coronavírus se desloca pela Europa e Oriente Médio; EUA se preparam

Centenas de casos confirmados na Itália e dezenas de novos no Irã provocam alerta mundial

The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 12h59

Novos casos do coronavírus surgiram na Europa. Dezenas de novas infecções no Irã intensificam os temores de uma propagação descontrolada do vírus no Oriente Médio. As bolsas de todo mundo caem. As autoridades de saúde nos Estados Unidos alertam que é apenas uma questão de tempo para o vírus invadir as costas americanas. Um clima político tóxico em Washington complica ainda mais o desafio de saúde pública.

Esses alertas persistentes e preocupantes provocaram nervosismo em todo o mundo na quarta-feira, 26, mesmo que a epidemia aparentemente esteja regredindo na China.

Pela primeira vez, mais casos novos foram reportados fora da China do que dentro deste país, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. O número de pessoas infectadas na China na terça-feira era de 411; no resto do mundo foi 427. O número total de pessoas com o vírus chegou agora a 80.980 no mundo todo, com a morte de três mil pessoas.

Na União Europeia, onde as fronteiras são abertas entre as nações membro novos casos foram registrados na Áustria, Croácia, França, Alemanha, Grécia, Espanha e Suíça. Muitos estão ligados à Itália, onde as autoridades vêm lutando para conter uma epidemia que já atingiu pelo menos 325 pessoas, a maioria no norte perto de Milão.

Autoridades do bloco advertiram que os países precisam fazer mais na sua preparação para novos surtos e no sentido de uma resposta mais coordenada.

Três hotéis - na Áustria, na França e nas Ilhas Canárias, na Espanha - foram fechados esta semana depois que hóspedes foram testados positivos para o vírus. As medidas para limitar o contágio diferem de lugar para lugar, mas agrupamentos de pessoas foram os primeiros a serem cancelados em cidades e vilarejos onde o vírus foi detectado.

Na Ásia, as autoridades chinesas alertaram que a queda no número de infectados pode ser apenas temporária, ao passo que dirigentes sul-coreanos ainda estão lutando para conter o maior surto do vírus fora da China. O Exército dos Estados Unidos confirmou que um soldado estacionado na Coreia do Sul foi testado positivo para o vírus.

Com as autoridades de saúde americanas se preparando para uma epidemia de coronavírus nos Estados Unidos, o governo Trump tem sido alvo de críticas de parlamentares republicanos e democratas por suas declarações contraditórias sobre a gravidade da crise, a falta de transparência e uma preparação displicente para fazer face a uma epidemia.

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