Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Para cada infectado por covid-19 existem outros 12 não notificados, aponta pesquisa

Levantamento da Universidade Federal de Pelotas indica que 15 mil gaúchos já contraíram a doença

Lucas Rivas, especial para O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 14h53

PORTO ALEGRE - A segunda etapa da pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) estima que 15 mil pessoas já tenham sido infectadas pelo novo coronavírus no Rio Grande do Sul. De acordo com o levantamento, para cada diagnóstico da doença existem 12 casos não notificados. Os novos resultados do estudo foram divulgados nesta quarta-feira pelo governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) e pelo coordenador da pesquisa, o epidemiologista Pedro Hallal, da UFPel, durante videoconferência.

Dados oficiais do governo do Rio Grande do Sul registram 1.350 casos confirmados da doença, com 50 mortes. O estudo indica que, hoje, há uma pessoa infectada para cada 769 habitantes. A nova fase da análise levou em conta 4,5 mil inquéritos realizados, no último final de semana, em nove cidades de todas as regiões do Rio Grande do Sul - Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Uruguaiana. A pesquisa apontou seis testes positivos na amostragem, indicando que 0,13% da população já detém anticorpos.

Contudo, Pedro Hallal ressaltou que o teste realizado não representa o atual cenário da expansão da covid-19 em solo gaúcho. "Existe uma demora de 7 a 10 dias, na maioria dos casos, entre a pessoa ter contato com vírus e desenvolver anticorpos. Ele apresenta quase nada de falso, no máximo 1%, e tem 15% de falsos negativos", mencionou.

Com relação às 50 mortes registradas no Rio Grande do Sul, a taxa de letalidade oficial chega a 3,6%. Mas, com base na pesquisa, o índice real cairia para 0,33%. "A gente faz questão de destacar, com muita ênfase, que a letalidade varia muito com a idade. Essa estimativa na população como um todo não é a mesma na população de 60 anos ou mais, ela é bem maior", frisou Hallal.

Em função da baixa testagem da população, Eduardo Leite fez um alerta sobre a propagação da doença, mas destacou o estudo realizado para auxiliar no enfrentamento da pandemia. "As pessoas nem sabem que estão com coronavírus. O resultado dessa pesquisa é um dos parâmetros utilizados para traçarmos nossa estratégia de enfrentamento ao coronavírus no Estado. Com apoio da comunidade científica e acadêmica e da sociedade civil, podemos elaborar um plano de distanciamento social controlado, com base nas realidades particulares de cada região, que seja sustentável a longo prazo", explicou Eduardo Leite.

Outras duas etapas da pesquisa estão previstas com o mesmo número de entrevistados e intervalos de duas semanas entre cada uma. O objetivo é estimar o porcentual de gaúchos com anticorpos, avaliar a velocidade da expansão da infecção, determinar o porcentual de infecções assintomáticas e obter cálculos mais precisos de letalidade. Na primeira fase, a amostragem indicou um infectado para cada duas mil pessoas.

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