TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Para conter sarampo, entidade incentiva triagem ágil e vacinação em hospitais privados

Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo emitiu alerta para mais de 55 mil serviços de saúde; Para Fehoesp, entrada do vírus em São Paulo ocorreu pelos hospitais particulares

Entrevista com

Luiz Fernando Ferrari Neto, diretor da Fehoesp

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2019 | 15h08

SÃO PAULO - Com o avanço do sarampo no Estado de São Paulo, que já contabiliza 967 casos confirmados, uma campanha está sendo realizada para que os hospitais particulares tornem mais ágil a triagem dos pacientes e vacinem os funcionários que não são da área de saúde. A ação, realizada desde o mês passado pela Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp), está mobilizando mais de 55 mil serviços de saúde do Estado.

Segundo a entidade, a entrada do vírus em São Paulo se deu por pacientes que não estavam vacinados e fizeram viagens para o exterior. Pelo perfil, foram atendidos em hospitais privados. Por isso, a importância da mobilização nessas unidades.

O Estado entrevistou o diretor da Fehoesp Luiz Fernando Ferrari Neto, que também é vice-presidente do Sindicato dos Hospitais, Clinicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), que alertou sobre a necessidade de envolvimento dos profissionais das diferentes áreas da saúde e da população para evitar que a doença continue se alastrando.

Quando a mobilização teve início nos hospitais particulares?

Começou no dia 23 de julho, quando a gente foi chamado na Secretaria de Estado da Saúde, junto ao Ministério da Saúde, para discutir sobre o sarampo que estava vindo junto aos hospitais privados. Os hospitais privados não tinham no seu radar a possibilidade de (casos de) sarampo para fazer um diagnóstico e uma comunicação rápidos. Além disso, a sua população de colaboradores não estava vacinada. Havia a necessidade de fazer o rastreamento da situação vacinal. O sarampo é de contágio absurdo, cada pessoa pode contaminar de 16 a 17 pessoas. Nós também entramos em contato com o Conselho Regional de Farmácia, porque achamos que a farmácia é um polo de atenção. No primeiro sinal de febre, é o local que o paciente vai. Também falamos com a  Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas, porque o primeiro sinal da doença são os pontinhos brancos na boca. O cirurgião dentista pode fazer o diagnóstico e ele e sua equipe precisam estar imunizados.

Desde a entrada do vírus nos Estados da região Norte do País, especialistas já falavam da necessidade de os profissionais de saúde estarem aptos a identificar os casos de sarampo. Os hospitais particulares não estavam preparados para essa situação?

O que muda é que, na região Norte, o vírus veio da Venezuela e os pacientes procuravam os órgãos públicos, que estão com uma rede de sentinela muito mais preparada. Teve o caso no Porto de Santos e as pessoas foram vacinadas em horas. Passando da situação de portos, as pessoas foram procurar os serviços privados.

Para a Fehoesp, a entrada do vírus em São Paulo ocorreu pelos hospitais particulares?

Se estudar o caminho dessa doença, foram pessoas que viajaram para a Europa, para o Oriente Médio e para a Ásia, que viajaram a negócios ou lazer. São pessoas com plano de saúde e que foram atendidas em hospitais privados. Não tem um histórico claro com países vizinhos, como a Venezuela. Até porque a população de fronteira e da Venezuela foi vacinada.

Mas o senhor acredita que o alerta para os hospitais particulares demorou a ser feito?

Não. Quando ocorreu a reunião, falávamos de 300 casos. Essa é uma doença que se espalha muito rápido. Se sair na população perguntando se as pessoas foram vacinadas contra o sarampo, elas vão dizer que estão vacinadas. Se não acontece um caso para demonstrar a gravidade, elas não vão se vacinar.

Geralmente, os profissionais de saúde têm a carteira de vacinação atualizada. Como está sendo o trabalho com os funcionários dos hospitais privados?

Nós fizemos um alerta para os colaboradores. O manobrista, ascensorista e pessoal da limpeza precisa ser vacinado. A gente está falando com mais de 740 mil pessoas que são de hospitais, clínicas e laboratórios. Eles já têm a cultura de mostrar a carteira de vacinação, já dá para ver se tomou as duas doses. Se precisa tomar, é mais fácil de convencer do que a população em geral. 

Na sua opinião, os hospitais particulares estão preparados para receber pacientes com sarampo?

Assim que a gente soltou o primeiro alerta, houve a preocupação. Os hospitais estão preparados para agilizar o atendimento na triagem e separar os casos suspeitos na entrada do hospital. Já foram disparadas todas as ações, porque não estava sendo lembrada a questão do sarampo. A pessoa com febre chegava como suspeita de dengue. Eu cheguei a ver o sarampo na prática médica, mas estou há 50 anos formado. Quem se formou de 1990 para cá, viu pouco.

Como a população pode colaborar?

Se já está preocupada em ter adquirido sarampo, informar isso vai ajudar. O ideal é a vacinação. Uma coisa que a gente precisa lembrar que quem não pode se vacinar é a grávida e o imunossuprimido.

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