Léo Souza/Estadão
Léo Souza/Estadão

Para controlar uma epidemia, é necessária ação populacional, e não apenas individual

O Projeto S, desenvolvido pelo Instituto Butantan na cidade de Serrana, demonstrou o impacto benéfico da ação antes mesmo que o último grupo recebesse a segunda dose

Paulo Lotufo*, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2021 | 05h00

O Projeto S, desenvolvido pelo Instituto Butantan na cidade de Serrana, mostrou cabalmente que, para se controlar uma epidemia, é necessária ação populacional, e não apenas individual. O município foi dividido em quatro grupos, diferenciados por cores, e cada um foi vacinado em uma semana. A pesquisa demonstrou o impacto benéfico da ação antes mesmo que o último grupo recebesse a segunda dose.

A bem-sucedida estratégia coloca em xeque a proposta de vacinação por grupos prioritários. O que vale é um conjunto estar protegido e não indivíduos isolados. Sobre a efetividade da Coronavac em idosos, é importante lembrar que, por ser uma cidade pouco populosa, o número de indivíduos dessa faixa etária é muito pequeno e, por serem mais suscetíveis ao vírus, parte pode ter morrido de covid antes da chegada da vacinação.

Dessa forma, não é possível concluir de forma definitiva que a proteção contra hospitalizações e óbitos nesse grupo é próxima de 100%, mas os dados iniciais já indicam que os idosos também desenvolvem resposta imunitária importante com a vacina e não ficaram sem proteção.

Falta ainda o detalhamento de alguns dados brutos da pesquisa, mas, com o que foi apresentado, pela primeira vez se demonstra cientificamente que o mais importante na vacinação e no controle da pandemia é a ação coletiva.

*É EPIDEMIOLOGISTA E PROFESSOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

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