Para diretor de centro europeu nuclear, País 'é um buraco negro'

Para Rolf Heuer, demora do Brasil para aderir ao Cern é 'incompreensível'; carta de intenções foi formalizada há três anos

Jamil Chade, Correspondente / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h10

O governo brasileiro caiu em desgraça no maior laboratório de física do mundo, depois de arrastar por três anos a adesão do País ao Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), sede do principal experimento da física na história: o acelerador de partículas.  "É um buraco negro", declarou ao Estado o diretor da instituição, Rolf Heuer, ao ser questionado sobre o Brasil e sua adesão à entidade. "Você sabe o que é um buraco negro?", ironizou Heuer, fazendo um jogo de palavras entre o que seu laboratório estuda e o comportamento do governo. "É incompreensível a demora do Brasil em apresentar a documentação", disse.

Há três anos, diplomatas brasileiros mediaram a assinatura de uma carta de intenções entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Cern. O Cern convocou seu conselho e autorizou a entrada do Brasil, a um custo anual de US$ 10 milhões. O evento foi comemorado como o primeiro passo para o ingresso do País no centro. Mas, desde então, nada ocorreu. O então ministro da Ciência Aloizio Mercadante visitou Genebra e prometeu acelerar o processo. A direção do Cern entendeu a visita como um sinal de que o processo avançaria. Mais uma vez, nada ocorreu.

O diretor deixou claro que, com o governo fora do Cern, as empresas nacionais não poderão participar da licitação de peças e serviços que o acelerador de partículas lançará. Segundo Heuer, para que o Brasil consiga a adesão neste ano, a documentação deve ser enviada até novembro. Em dezembro, ocorrerá reunião do conselho que autoriza novas entradas.

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