Para médicos, anestésicos são de baixa qualidade

O presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, João Aurílio Rodrigues Estrela, acredita que a culpa pelas duas mortes supostamente em decorrência do uso de anestésicos, em Minas e São Paulo, seja dos próprios medicamentos. "Como houve problemas em diferentes locais, é quase certo que a culpa não seja dos anestesiologistas." Segundo ele, o uso dos cloridratos de bupivacaína e de lidocaína é comum. Estrela diz que a bupivacaína é utilizada nas raquianestesias, comuns nas cesarianas (injetada na medula, anestesia o abdome e as pernas). "Nas mãos de um médico treinado, é uma anestesia segura." A bula do cloridrato de lidocaína informa que "tem sido extensamente usado em procedimentos obstétricos durante o parto, o qual é uma indicação de sua segurança". No caso do cloridrato de bupivacaína, não há referência ao uso no parto. A mais forte reação adversa da lidocaína é o choque anafilático. Em relação à bupivacaína, o paciente pode ter crises convulsivas e edema cerebral. Anestesiologistas que falaram ao Estado sob a condição de que seus nomes não fossem publicados disseram que não é boa a qualidade dos dois anestésicos da Hipolabor. Outros laboratórios teriam os mesmos produtos com melhor qualidade, mas também mais caros. "O problema é que os gestores estão mais preocupados com a quantidade do que com a qualidade", queixou-se um deles.

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