Marcos Corrêa/PR
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Pará tenta aumentar índice de isolamento em meio a caos na saúde

Levantamento da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social aponta que menos da metade da população está respeitando o decreto

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 16h27

RIO - Com o sistema de saúde à beira do colapso na capital em função do rápido aumento do número de casos de covid-19, o governo do estado do Pará vem insistindo na necessidade do isolamento social. Levantamento da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) aponta que menos da metade da população está respeitando o decreto de isolamento. O Pará contabiliza 2.470 casos confirmados do novo coronavírus, com 150 mortos.

A campanha pelo isolamento social conta até mesmo com mensagens duras divulgadas pela Secretaria Estadual da Saúde. "Você quer morrer e matar sua família e amigos?", indaga um vídeo postado no site da secretaria. A campanha informa que apenas 46% da população na região metropolitana de Belém está cumprindo o decreto estadual que estabelece isolamento. "Não tem outra escolha, fique em casa", prossegue o vídeo.

O índice de isolamento aumentou levemente em Belém, passando dos 50%, nos últimos dois dias. A melhora nos números coincide com decreto municipal que passou a vigorar na segunda-feira, 27, e que restringiu o funcionamento de estabelecimentos comerciais e de serviços - apenas as áreas consideradas essenciais estão autorizadas a funcionar.

Colapso

Na segunda, o governador Helder Barbalho (MDB) declarou ao Estado que o Pará está sofrendo com a falta de médicos e de outros profissionais de saúde. A situação mais dramática é em Belém, onde o sistema está saturado - no fim de semana, dois médicos chegaram a ser responsáveis por 80 pacientes em uma unidade de saúde. Leitos clínicos e de UTI, além de equipamentos como respiradores, também estão em falta. Uma remessa é esperada para chegar nos próximos dias, vindos da China.

Para tentar desafogar um pouco o sistema de saúde, nesta quarta-feira o governo do Estado anunciou o Hospital Abelardo Santos, em Belém, passará a funcionar a partir de quinta, 30, como um Pronto Socorro exclusivo para pacientes com covid-19. Isso representará um acréscimo de 20 leitos de UTI e de 75 leitos clínicos ao sistema.

Das 150 mortes pelo novo coronavírus no estado, 11 são de policiais militares. A corporação enfrenta alto índice de contaminação. Ao todo, 97 PMs já foram diagnosticados com a doença. Há ainda 705 casos suspeitos.

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