Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Paraisópolis recebe doação de 11 mil ovos de Páscoa e distribui sem aglomerações

Apenas uma empresa participou da doação; a comunidade ainda espera um plano de ajuda do governo por conta do coronavírus

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2020 | 15h40

Um pouco mais da metade dos domicílios da comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, terá ao menos um ovo de chocolate para comemorar a Páscoa em meio a pandemia do novo coronavírus. Desde a noite de quarta-feira até o final da manhã de hoje, quinta-feira, 9 de abril, tinham sido distribuídos 2,5 mil ovos, um para cada casa da comunidade. Paraisópolis tem 21 mil domicílios, onde moram 100 mil pessoas.

“Recebemos doação de 11 mil ovos, 6 mil são chiquérrimos, grandões, numa caixa especial, um bom presente”, diz Gilson Rodrigues, líder comunitário de Paraisópolis e coordenador nacional do G10 das Favelas. Ele conta que a doação foi feita por pessoas que já conheciam o trabalho do G10 das Favelas e outras o procuraram pela internet. Apenas uma empresa, o Uol, participou da doação. “O Uol tinha comprado ovos para dar aos funcionários e, com a quarentena, eles resolveram doar para a comunidade.”

Rodrigues conta que a distribuição é feita de casa em casa pelo presidente de rua, sem aglomerações. Isso é exatamente para evitar o risco de contágio da covid-19. A intenção é terminar a distribuição ainda hoje quinta-feira ou retomar a operação no sábado. Amanhã, sexta-feira, será de folga para os coordenadores da comunidade, que têm trabalhado muito nas últimas semanas, segundo Rodrigues.

Estrutura de guerra

Desde o dia 19 de março, os líderes da comunidade montaram uma “estrutura de guerra” no combate à pandemia. Foi criado um comitê para enfrentar a doença. A cada 50 casas, um morador vizinho e voluntário, chamado de presidente de rua, terá quatro atribuições.

A primeira é conscientizar as pessoas para que elas fiquem em casa. Depois, fica encarregado de distribuir as doações, de forma que não gere aglomerações nessa tarefa. Ele deve também passar informações corretas e combater as notícias falsas. E, finalmente, a quarta e mais importante função do presidente de rua, é monitorar, por meio de um grupo de WhatsApp, a saúde das 50 famílias. “Se elas tiverem algum problema, ele aciona a ambulância.”

A comunidade contratou três ambulâncias, uma delas com equipamentos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e sete profissionais (dois médicos, três enfermeiros e dois socorristas). Essa estrutura está disponível 24 horas por dia em Paraisópolis para prestar socorro.

“Decidimos contratar as ambulâncias porque o SAMU não vem para cá”, explica Rodrigues. O líder comunitário frisa que nenhum membro do governo falou até agora a palavra favela  nessa pandemia. “Não dá para deixar a favela à própria sorte: tem política para salvar bancos, shoppings, varejo e  favela ninguém falou até agora como vai salvar.”

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