Pablo Pereira/Estadão
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Paralisado, setor de festas e eventos acumula prejuízos

Para tentar minimizar efeitos da crise, alternativa é apostar na entrega de alimentos via delivery

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 16h38

Um setor relevante da economia de São Paulo, o das festas e eventos, está sendo paralisado pelo coronavírus. Empresas estão buscando alternativas para sobreviver. Os primeiros prejuízos do impacto da doença já estão sendo sentidos, diz o empresário Ricardo Yoshikawa, da Buffet Colonial, empresa que já registra 40 cancelamentos de eventos. “São três meses jogados no lixo”, afirmou.

O prejuízo calculado até agora na empresa dele, segundo Yoshikawa, “chega em torno de uns R$ 2 milhões, somando os três meses sem operar”. “Dos 50 colaboradores, vamos manter apenas cinco na casa e dispensamos todos que têm idoso ou criança em casa”, afirmou o empresário, cuja família tem negócios no setor também no Japão, em Osaka, outra região atingida pela expansão do vírus.

Para tentar mitigar a crise, a empresa dele está diversificando as operações com a aposta na entrega de alimentação via delivery. “Estamos apenas alinhando para iniciar o trabalho de entregas de alimentação”, explicou. “Se somarmos o impacto em toda a cadeia de fornecedores, decorador, foto e vídeo, o prejuízo pode chegar a R$ 9 milhões em três meses”, calculou.

De acordo com o empresário, se a crise ultrapassar maio, o impacto será exponencial. Pelos cálculos de Yoshikawa, uma festa para 250 pessoas movimento em torno de 150 colaboradores, entre garçons, cozinha, fotógrafo, segurança, decorador, a senhora que faz bem casado, boleira, além de outros profissionais que vivem desse ramo de negócio. “Normalmente esses colaboradores freelancers das empresas de eventos são reflexo da crise econômica que veio junto com motorista de Uber, ou seja pessoas desempregadas que faziam bico para conseguir viver”, explicou. “O que quero mostrar é que a crise em efeito cascata começa conosco, mas reflete na pessoa que estava querendo se levantar”, disse.

De acordo com Yoshikawa, “se o governo não fizer alguma coisa, a cadeia de buffets e fornecedores irá se arruinar”. O empresário disse ainda que “é interessante que o governo resolveu ajudar a aviação antes das empresas menores como a de eventos, que no final estão mais próximas do povo, e que são pequenos empresários que geram milhares de empregos". 

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